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DocLisboa abrirá com filme «Nheengatu - A Língua da Amazónia» de José Barahona

A co-produção luso-brasileira segue o rasto de uma «língua imposta às populações indígenas pelos primeiros colonizadores portugueses que desembarcavam no Brasil no século XV».

Um grupo de índios Cayapós, da Amazónia, bloquearam a estrada B3-163, em Novo Progresso, Estado do Pará, Brasil, a 18 de Agosto de 2020, em protesto contra a falta de recursos de saúde e a invasão das suas terras por mineiros ilegais
CréditosEPA/ERNESTO CARRICO / LUSA

A co-produção luso-brasileira Nheengatu - A Língua da Amazónia, de José Barahona, que será exibida em estreia mundial a 22 de Outubro no cinema São Jorge, segue o rasto de uma «língua imposta às populações indígenas pelos primeiros colonizadores portugueses que desembarcavam no Brasil no século XV», explica o festival.

Esta 18.ª edição decorrerá num formato reformulado, dividido por módulos de exibição de documentário em sala, entre Outubro e Março de 2021, sem as secções e competições habituais.

O primeiro momento do festival acontecerá de 22 de Outubro a 1 de Novembro, encerrando com Paris Calligrammes, da realizadora alemã Ulrike Ottinger, estreado no festival de Berlim.

A organização tinha já anunciado em Junho que a retrospectiva desta edição será dedicada ao cinema da Geórgia, sob o mote «A Viagem Permanente - O Cinema Inquieto da Geórgia».

«Propomo-nos a construir um festival que responda aos tempos, mas que preserve o nosso modo de estar: o da partilha, o do questionamento, o de ver e pensar com o outro», afirmaram Joana Gusmão, Joana Sousa e Miguel Ribeiro, da direcção do DocLisboa, em comunicado em Maio passado.

A intenção do festival é apoiar «o cinema independente e reafirmar a natureza colectiva da experiência do cinema».

Em Maio, a direcção do DocLisboa deixava ainda um alerta:  «Deparamo-nos com uma política cultural e laboral insuficiente que não respeita condignamente os profissionais do sector. (…) Os filmes portugueses que exibiremos este ano no festival serão por si só, pelo facto de terem sido feitos, um acto de resistência».

Uma das iniciativas do festival, o Nebulae, dedicado apenas a contactos entre profissionais de cinema, só decorrerá online, com apresentação de projectos em desenvolvimento, neste ano dedicados a filmes da Geórgia.

Já o Arché, o laboratório de projectos em desenvolvimento para realizadores e produtores de Portugal, Espanha, Itália e países ibero-americanos, vai realizar-se também online, entre 22 de Outubro e 6 de Novembro.

Para este ano, para o Arché foram selecionados, entre outros, Fogo vigiado, de Laura Marques, Gentlewomen, de Cláudia Alves, ou Night tears or the end of innocence, de Miguel Moraes Cabral.


Com agência Lusa

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