O Departamento de Justiça dos EUA modificou a acusação fundamental contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro que levou ao seu rapto e detenção ilegal ao arrepio do direito internacional. Inicialmente líder do Cartel de los Soles, segundo a Administração Trump, esta organização nunca fora reconhecida no relatório anual de ameaça de drogas da Drug Enforcement Administration (DEA) nem no Relatório Mundial sobre Drogas do United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), e como tal desapareceu da acusação que era feita.
Apesar do recuo na acusação, o presidente venezuelano legitimamente eleito continua sob custódia norte-americana e o seu julgamento avançará. Segundo o que foi anunciado, o julgamento de Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, começará a 1 de Junho de 2027, daqui por ano.
Apesar da narrativa inicialmente criada ter caído por terra, os procuradores dos EUA continuam, no entanto, a afirmar que Maduro liderou uma conspiração para enviar milhares de toneladas de cocaína para o país liderado por Donald Trump, em conluio com autoridades venezuelanas que ajudavam chefes do narcotráfico.
Ante o anúncio, o advogado de defesa, Barry Pollack, afirmou já que vai pedir a anulação do caso, argumentando que Maduro deveria ter imunidade, uma vez que é o chefe de um Estado soberano, enquanto que Maduro e a Cilia Flores continuam a dar-se como inocentes, num processo que assume todos os contornos políticos. A par destes elementos, a defesa também pretende contestar a legalidade da o rapto de tanto o presidente venezuelano e a mulher foram alvos.
Na Venezuela luta-se pela libertação imediata do seu presidente
Na passada quarta-feira, dia 22 de Julho, 200 dias após o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores, as ruas de Caracas foram palco de manifestações a exigir a liberação do presidente venzuelano e da sua esposa. Simultaneamente, a voz popular fez-se ouvir em frente ao tribunal federal em Nova Iorque durante a terceira audiência de ambos no Gabinete do Procurador para o Distrito Sul da cidade.
Em Caracas, Edwin Velásquez, vereador do município Libertador Bolivariano, ao jornal digital CiudadCcs, destacou as dificuldades que o povo venezuelano tem enfrentado, nomeadamente o sequestro do casal presidencial e o duplo terremoto de 24 de Junho e destacou a coragem que se vive: «Este é um povo resiliente que se levanta para enfrentar o desafio diante da adversidade».
Já Luis Rojas, representante do Colectivo Antonio Monsalve Sierras, afirmou que o adiamento do julgamento para Junho de 2027 ocorreu por falta de provas conclusivas:«Eles não têm argumentos; querem continuar a adia-lo para a sua própria conveniência, porque sabem que, legalmente, o presidente tem que estar aqui na sua terra natal», disse.
Entre os participantes na manifestação, duas integrantes Movimento Feminista Cacica Urquía entendem que as acusações dos Estados Unidos são apenas uma fabricação para promover a ingerência e o saque dos recursos naturais do país.
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