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«Alcindo»: uma noite longa que ainda não acabou

O documentário vem assinalar os 26 anos decorridos sobre o assassinato de Alcindo Monteiro, morto no Chiado, em Lisboa, mas Alcindo vai muito além do retrato de um crime.

Créditos / vozonlineradio.pt

Alcindo Monteiro, cidadão português de 27 anos e residente no Barreiro, viria a morrer no dia 12 de Junho, no seguimento das graves lesões decorrentes do espancamento de que ele, entre 11 outras vítimas, foram alvo em 1995.

Assinalava-se o Dia de Portugal quando Alcindo foi confrontado, na rua Garrett, por um grupo nacionalista que, nesse mesmo dia, tinha organizado um jantar comemorativo do «dia de Camões, Portugal e da raça» – epíteto acrescentado a esta data por Salazar, em 1944.

É através deste acontecimento que o documentário Alcindo, realizado por Miguel Dores e que se encontra actualmente em fase de pós-produção, explora o passado e o presente da violência racista em Portugal.

Com recurso a entrevistas com os vários intervenientes neste processo, desde familiares e amigos da vítima aos advogados que os acompanharam durante o julgamento, assim como a recortes de um artigo editado pela Frente Anti-Racista em 1998 e outros documentos, o realizador apresenta uma nova perspectiva sobre o crime, pelo qual foram condenados 14 elementos do grupo.

Para a conclusão do projecto foi lançada uma campanha de fundos que contou, entre outros, com a colaboração do artista urbano Vhils. Embora os autores do documentário, «filmado com muitas horas de trabalho, voluntário e colaborativo», tenham alcançado a meta de angariação originalmente proposta, procuram agora recolher os fundos necessários para divulgarem, a nível nacional, um filme que «procura antes de tudo ser uma homenagem àqueles que resistem e àqueles que caem».

O documentário tem data prevista de estreia para Outubro de 2021.

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