Decorre o processo negocial com o Governo

Trabalhadores da Administração Pública marcharão até ao Ministério das Finanças

Governo ainda não avançou com respostas na negociação com a Administração Pública. Frente Comum terá plenário e marcha até ao Ministério das Finanças dia 18, continuando a exigir aumentos salariais e descongelamento das carreiras.

Nos últimos anos, foram várias as acções de protesto protagonizadas pelos trabalhadores da Administração Pública
Nos últimos anos, foram várias as acções de protesto protagonizadas pelos trabalhadores da Administração PúblicaCréditos / Frente Comum

Decorre o processo negocial entre as estruturas sindicais da Administração Pública e o Governo, que poderá ter reflexos no Orçamento de Estado de 2017. A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, depois da reunião que decorreu ontem com o Governo, afirma que nada foi adiantado na negociação. A estrutura sindical realizará um plenário de dirigentes, delegados e activistas no dia 18 de Outubro, às 10 horas, na Casa do Alentejo. Segue-se uma marcha até ao Ministério das Finanças, onde irá reafirmar as suas reivindicações.

Entre as exigências prioritárias está o aumento dos salários de 4%, com o mínimo de 50 euros por trabalhador, e o descongelamento da progressão nas posições remuneratórias.

Outras propostas destacadas são a eliminação da precariedade na Administração Pública – contratos a termo, actividades ocupacionais, contratos de emprego-inserção, estágios ou falsos recibos verdes – e a abertura de procedimentos concursais que garantam o vínculo de todos os trabalhadores que estejam no exercício de funções correspondentes a necessidades permanentes dos serviços.

A aplicação do horário semanal de 35 horas a todos os trabalhadores que exerçam funções públicas, quer em regime de contrato de trabalho em funções públicas, quer com contrato individual de trabalho, continua também a ser uma bandeira forte dos trabalhadores.

Estas são algumas das reivindicações que constam da proposta reivindicativa comum para 2017, aprovada na Cimeira dos Sindicatos da Administração Pública e que foi entregue no Ministério das Finanças.

O sector que sofreu anos de cortes e congelamentos

Os trabalhadores querem a recuperação das perdas salariais ocorridas nos últimos anos, fruto do congelamento dos salários desde 2009 e das carreiras desde 2005, com o governo do PS.

Ao longo dos últimos quatro anos, com o governo do PSD e do CDS-PP, a Administração Pública foi alvo da redução de cerca de 65 000 trabalhadores, do congelamento e cortes salariais, e do aumento do horário de trabalho para as 40 horas.

Entre 2010 e 2015, o poder de compra diminuiu 17,5% na Administração Pública e o aumento do horário de trabalho levou uma diminuição de 27,4 % do valor real da hora de trabalho.