«Esta é mais uma prova de que a privatização dos CTT não serviu para melhorar o serviço postal e universal, mas para transformar um serviço público prestado aos cidadãos num instrumento de geração de lucros para interesses privados», acusa o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN), num comunicado divulgado ao final da manhã desta quarta-feira.
No concelho de Tomar, a degradação do serviço postal confirma-se, segundo o SNTCT, por haver actualmente mais de dez mil cartas por distribuir, conforme denunciou na sessão da Assembleia Municipal de 28 de Setembro. Mas já foram mais do dobro. O sindicato revela que, quando teve conhecimento do atraso na distribuição do correio, «o número de cartas por distribuir ultrapassava as vinte mil», e que, «apesar dos alertas» efectuados, os responsáveis da empresa «negaram a existência do problema».
O SNTCT frisa que a situação «é concreta» e exige a reposição da normalidade do serviço. Mas regista que faltam 12 carteiros no concelho de Tomar, situação que atribui à «degradação das condições de trabalho nos CTT». Este cenário, critica, repete-te «um pouco por todo o País», apesar dos lucros obtidos pela empresa nos últimos anos. O sindicato declara que a opção da empresa «tem sido gerar lucros para os accionistas privados e remunerar generosamente os administradores», recordando que, de acordo com o Relatório de Contas, em 2026, o presidente dos CTT «auferiu, por dia, um valor equivalente a mais de 2900 euros».
No seguimento da advertência do SNTCT, esta segunda-feira, o presidente da Câmara de Tomar anunciou que vai reunir-se em Novembro com os responsáveis dos CTT. O sindicato reage vincando que a intervenção do SNTCT «é diária» e tem como objectivo «melhorar o serviço público postal que a empresa está obrigada a prestar e ao qual os cidadãos têm direito».
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