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Somincor recorre à GNR para interferir na greve

A greve na mina de Neves-Corvo, que continua com uma forte adesão, teve interferência da GNR para tentar inviabilizar o piquete de greve.

Mina de Neves-Corvo, em Castro Verde
Mina de Neves-Corvo, em Castro VerdeCréditos / sulinformacao.pt

Um comunicado da Fiequimetal/CGTP-IN, enviado esta terça-feira às redacções, denuncia e repudia «o facto de a unidade de intervenção da GNR estar a interferir na greve em curso na Sociedade Mineira de Neves-Corvo, colocando-se do lado patronal e contra a luta dos mineiros».

Segundo a estrutura sindical, a interferência da GNR «tem como propósito limitar o normal funcionamento do piquete de greve», acrescentando que também revela «uma postura antidemocrática da Administração da Somincor e da multinacional Lundin Mining», lembrando que os mineiros «estão a exercer um direito inscrito na Constituição da República Portuguesa».

Já num comunicado do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), divulgado ontem, é afirmado que, «apesar de todas as tentativas da empresa para procurar inviabilizar a acção do piquete de greve, com cercas e portões, guardas e polícia de intervenção, os trabalhadores não desarmam», sublinhando que a produção continuava «completamente parada».

Empresa intransigente

Depois da greve realizada de 3 a 7 de Outubro, que contou com uma forte adesão, a administração da Somincor (do grupo canadiano Lundin Mining), concessionária da mina de Neves-Corvo, continuou intransigente perante as reivindicações dos trabalhadores, pelo que estes decidiram convocar a greve que se iniciou esta segunda-feira às 6h e que se estende até às 6h do dia 11 de Novembro.

Um comunicado do sindicato informa que os trabalhadores reivindicam o fim da laboração contínua no fundo da mina e a implementação de horários humanizados, de segunda a sexta-feira; a antecipação da idade da reforma dos trabalhadores adstritos às lavarias, pastefill, backfill e central de betão; a reparação das discriminações aos trabalhadores que rejeitaram a laboração contínua, com a atribuição da progressão da sua carreira profissional e «demais direitos que lhes foram sonegados»; a progressão nas carreiras, «justa e adequada»; a justiça na atribuição dos prémios; e o fim da pressão e repressão sobre os trabalhadores.

Dia 10 de Novembro em Lisboa

O sindicato divulgou ainda que no próximo dia 10, às 7h, os trabalhadores «sairão da porta da empresa rumo ao Ministério do Trabalho para reclamar que este ministério cumpra o seu dever e intervenha para a prevenção e resolução do conflito que opõe os trabalhadores à administração».

O comunicado acrescenta que os trabalhadores continuam disponíveis «para encontrar uma solução negociada para este conflito».

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