|Repressão patronal

Ryanair reage a greve europeia com ilegalidades

A uma semana da greve conjunta dos sindicatos europeus de tripulantes de cabine, a companhia low-cost enviou um formulário aos trabalhadores onde pergunta se vão fazer greve e lembra as consequências.

Lucros da empresa após impostos, divulgados a Junho de 2017, foram de 397 milhões de euros, um aumento de 55%
Lucros da empresa após impostos, divulgados a Junho de 2017, foram de 397 milhões de euros, um aumento de 55% Créditos / Wikimedia Commons

O formulário está a ser enviado pela Ryanair aos tripulantes de cabine de Portugal, Espanha, Bélgica e Itália, a pretexto de «minimizar os transtornos para os nossos clientes», decorrentes da greve conjunta a 25 e 26 de Julho.

No email, além de tentar coagir os trabalhadores, a Ryanair pede também que preencham um questionário onde pergunta a quem está escalado para trabalhar nos voos abrangidos pelo período se tencionam aderir à greve ou se tencionam trabalhar como normalmente. Indo mais além, a Ryanair coloca ainda uma outra opção no questionário para quem não esteja escalado: se deseja ser voluntário para trabalhar.

Em reacção ao formulário, Luciana Passo, presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), afirmou à Lusa que as perguntas são todas ilegais. A Raynair quer «saber quem faz greve ou deixa de fazer, o que é ilegal, e quer coagir os tripulantes, ficando com registo de quem responde ou não, o que também não me parece muito curial». Além disso, a lei da greve também proíbe a substituição de trabalhadores em greve por outros.

A greve conjunta dos vários sindicatos de Portugal, Espanha, Bélgica e Itália tem como objectivo exigir melhores condições de trabalho e o reconhecimento das leis nacionais de cada país pela Ryanair, como ainda que esta deixe de recusar negociar com os sindicatos só porque os dirigentes são de outras companhias áreas e que reconheça os mesmos direitos aos trabalhadores que são subcontratados à Crewlink e Workforce.

Na última greve portuguesa, a companhia irlandesa foi acusada de violar o direito à greve por ter recorrido a tripulantes de cabine de outras bases europeias para substituir os grevistas. Alguns telefonemas da empresa, que foram divulgados, revelaram ameaças de despedimento e chantagem sobre quem recusasse fazer os voos de Portugal.

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