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Porto de Lisboa quer mais trabalho por menos dinheiro

Os patrões do Porto de Lisboa denunciaram o contrato colectivo de trabalho com os estivadores. Querem menos trabalhadores, funcionamento 24 horas e redução de salários, em nome da «competitividade».

Estivadores denunciam existência de práticas anti-sindicais que ocorrem nos portos
CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

A Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL) informou esta sexta-feira que denunciou o contrato colectivo de trabalho (CCT) com o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal. A comunicação coincidiu com a entrega de um pré-aviso de greve, por parte do sindicato, que irá durar até ao início de Julho. 

A estrutura alega que o CCT, que devia vigorar até Outubro de 2022, «está totalmente desajustado da realidade» e que «é urgente adequar a organização e a regulação do trabalho portuário no Porto de Lisboa às novas exigências internacionais da operacionalidade». 

Aos microfones da TSF, Diogo Marecos, um dos directores da AOPL, confirmou que, de acordo com a tramitação legal, já foi apresentada ao sindicato uma proposta de CCT «adaptado às necessidades» do porto.

De acordo com o responsável, as «grandes diferenças» têm a ver «obviamente» com os horários de trabalho, «em que se permite que as [sete] empresas tenham o porto a trabalhar 24 horas por dia», a que se junta a «necessidade» de haver «um menor número» de trabalhadores portuários.

O terceiro aspecto está relacionado com os salários, tendo Diogo Marecos sublinhado que, há que «conformar a remuneração de todos [os trabalhadores] à realidade e ao mercado, porque o Porto de Lisboa precisa de competitividade». 

A AOPL queixa-se do «frequente recurso à greve», afirmando que o actual CCT «tem-se revelado incapaz de garantir a paz social, um dos principais, se não o principal fim, que almejava».

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