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Patrões do turismo e restauração bloqueiam negociações para estagnar salários

Ao longo dos últimos meses, o patronato tem invocado que o salário mínimo está demasiado próximo do salário médio. Acontece que, segundo a FESAHT, as cinco confederações patronais do turismo e restauração estão a bloquear a contratação colectiva e, como tal, o aumento dos salários. 
 

Créditos Fernando Veludo / Agência Lusa

A Federação dos Sindicatos da Hotelaria, Restauração e Turismo (FESAHT/CGTP-IN) emitiu um comunicado no qual denuncia aquilo que classifica como «bloqueio deliberado» da contratação colectiva no sector. A denúncia surge num momento em que o turismo em Portugal bate máximos históricos, mas os salários dos trabalhadores permanecem estagnados no valor do Salário Mínimo Nacional.

No comunicado enviado às redacções, a FESAHT revela que «muitas centenas de milhares de trabalhadores» estão actualmente a auferir apenas o salário mínimo, sem perspectivas de progressão ou valorização salarial, devido à recusa das principais entidades patronais em negociar a revisão dos Contratos Colectivos de Trabalho (CCT).

A federação sindical aponta o dedo directamente à AHRESP, AHP, APHORT, AHISA e AHETA, acusando-as de protelarem sistematicamente as respostas às propostas apresentadas pela estrutura sindical.

Segundo os dados do INE relativos ao primeiro trimestre de 2026, «o sector na região Norte obteve um aumento de dormidas de 6,3%», um situação que é semelhante em vários pontos do país. Veja-se que a FESHAT tinha já denunciado que a recusa da APORT em ver o Contrato Colectivo de Trabalho para 2026, deixava mais de 100 mil trabalhadores sem contratação colectiva e aumentos salariais, algo que se alastra às restantes confederações patronais do sector.

Perante o impasse e a intransigência patronal, a FESAHT passará das palavras aos actos e no próximo dia 1 de Julho de 2026, pelas 11h30, a federação promoverá três concentrações simultâneas de dirigentes e delegados sindicais, junto às sedes das principais associações patronais do sector.

A iniciativa servirá para apresentar publicamente as razões do protesto e as reivindicações dos trabalhadores, mas assume-se também como o ponto de partida para uma ampla campanha nacional de esclarecimento e denúncia. Durante a acção, a FESAHT irá revelar o calendário das próximas iniciativas, que prometem estender-se a todo o território nacional, com o objectivo de forçar as negociações e garantir a urgente valorização dos salários e dos direitos de centenas de milhares de trabalhadores.

As acções serão em frente à sede da APHORT, na rua de Gonçalo Cristóvão, no Porto; em frente à sede da AHRESP e AHP, na Avenida Duque D'Ávila, em Lisboa; e e frente à sede da AHETA, no Caminho Quinta da Bolota, em Albufeira.

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