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Milhares expressam solidariedade com trabalhadores do Jornal de Notícias

Uma petição «em defesa do Jornal de Notícias, do jornalismo e das pessoas» já recolheu quase 4 mil assinaturas. Dos 150 trabalhadores da Global Media ameaçados pelo despedimento colectivo, 40 são do JN.

Os trabalhadores do Jornal de Notícias manifestaram-se hoje contra a saída do jornal da conhecida «Torre JN» localizada na baixa da cidade do Porto. Os trabalhadores estão contra a mudança de instalações e por sua vez de local de trabalho que será fora do centro da cidade. 24 de Julho de 2023.
Os trabalhadores do Jornal de Notícias manifestaram-se hoje contra a saída do jornal da conhecida «Torre JN» localizada na baixa da cidade do Porto. Os trabalhadores estão contra a mudança de instalações e por sua vez de local de trabalho que será fora do centro da cidade. 24 de Julho de 2023.CréditosPorto Canal / Porto Canal

Mesmo com todos os desafios que a imprensa enfrenta nos dias de hoje, o Jornal de Notícias apresenta anualmente «resultados positivos, na ordem dos milhões de euros, e há muitos anos que se afirma nos lugares cimeiros do online». Este capital «económico e patrimonial», não é, no entanto, uma prioridade para a nova administração da Global Media Group (GMG), que detém ainda o DN e a TSF. O propósito da administração é exclusivamente o lucro dos accionistas.

A administração informou recentemente as delegadas sindicais de que o despedimento colectivo de cerca de 150 trabalhadores do GMG (1/3 do total de funcionários) estava a ser seriamente ponderado. 40 dos visados são do Jornal de Notícias, quase metade da redacção (entre a sede no Porto e a delegação de Lisboa, o JN tem cerca de 90 trabalhadores).

«Um corte desta dimensão será a morte do JN como o conhecemos», refere a redacção do Jornal de Notícias, numa petição promovida pelos próprios e aberta à subscrição de todos. Seria o destruir de uma «ligação centenária às pessoas, às instituições e aos territórios». Se esta «impensável» decisão avançar, o jornal «até pode sobreviver mais um ano ou outro, mas nunca será capaz de continuar a fazer a diferença».

Por isso mesmo, os trabalhadores do Jornal de Notícias estão a pedir o apoio dos seus leitores e de todos «os que prezam a liberdade de imprensa e de expressão, bem como a todas as personalidades e instituições do país, pedindo-lhes que assinem a petição e ajudem a proteger 135 anos de história ao lado das pessoas». Até ao momento, quase 4 mil pessoas assinaram o documento «em defesa do Jornal de Notícias, do jornalismo e das pessoas».

Salários já estão em atraso na Global Media

A comissão executiva da Global Media Group, que é, desde Outubro, comandada pelo fundo de investimentos World Opportunity Fund, sediado nas Bahamas, anunciou ontem que os salários de Novembro só serão processados «no início da próxima semana». Os trabalhadores estão sujeitos a esperar que «verbas transferidas do estrangeiro estejam acessíveis».

Desviando a atenção do seu grave incumprimento, a GMG culpa «a campanha permanente que tem sido vítima o Global Media Group por parte de alguma concorrência, com a adulteração de factos e criação de falsas narrativas», assim como a impossibilidade de acederem à «banca nacional» depois de anos de má gestão financeira. O grupo afirma não ter outro recurso que não a de transferências internacionais por parte do fundo, «e que têm sido indispensáveis para garantir o pagamento dos salários».

Em plenário realizado ontem, os trabalhadores do Jornal de Notícias decidiram manter o pré-aviso de greve para 6 e 7 de Dezembro.

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