Lidl: denúncias do CESP dão frutos, mas há muito a fazer

Segundo o CESP, várias situações mudaram na sequência de denúncias feitas sobre os problemas dos trabalhadores do Lidl. No entanto, reafirmam que muito há a fazer.

CréditosMARIJAN MURAT / Agência LUSA

Num comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal exige «a correcção de todas as ilegalidades e o fim da pressão e repressão aos trabalhadores».

Quanto aos horários de trabalho, o sindicato revela que a empresa confirma as irregularidades denunciadas pelo CESP, e admite só ser possível colmatá-las com a contratação de mais trabalhadores, sendo que alguns já foram admitidos nos meses de Setembro e Outubro. No entanto, o CESP chama a atenção para o facto de que estão igualmente a ser estudadas as possibilidades, em cada uns dos locais de trabalho, de eventuais aumentos de carga horária. O sindicato lembra que nenhum trabalhador é obrigado a trabalhar para além do seu horário.

«O sindicato denuncia que a pressão e a repressão continuam em alguns locais de trabalho»

Também todos os processos de avaliação de chefias estão suspensos para análise individual, sempre feita em conjunto com o trabalhador em causa. Neste caso, o Lidl conprometeu-se a encontrar soluções para todos os trabalhadores que tiveram resultados negativos, com vista à manutenção das suas funções.

Depois da denúncia da constante falta de fardamentos, a empresa comprometeu-se a entregar a todos os trabalhadores as mudas de fardamentos e calçado necessários a cada um.

Quanto à denúncia das condições de trabalho nas padarias, nomeadamente o excesso de trabalho e outros «castigos», a empresa afirma já ter tomado medidas para colmatar alguns excessos.

O sindicato denuncia que a pressão e a repressão continuam em alguns locais de trabalho. Quanto ao subsídio de domingo e part-times, a organização sindical afirma que a empresa durante anos pagou abaixo do valor devido, e, apesar de ter corrigido o valor pago em 2016, recusa-se a pagar os valores em falta, relativos aos anos anteriores.

As reivindicações para 2017

Os trabalhadores do Lidl, através do CESP, divulgam o seu Caderno Reivindicativo para 2017. Entre as exigências, está o aumento do salário mínimo da empresa em 40 euros e 25 dias úteis de férias para todos os trabalhadores.

Também reivindicam a reposição das pausas como tempo efectivo de serviço a todos os trabalhadores dos entrepostos, à semelhança do que acontece nas lojas.

Defendem ainda a contratação de pessoal qualificado para vigilância e disparo de alarmes nas lojas. Exigem o cumprimento efectivo em todas as lojas e entrepostos do tempo de descanso diário, e o cumprimento dos prazos para descanso compensatório do trabalho suplementar realizado e dos feriados trabalhados.

Os trabalhadores também reivindicam o fim da contratação de trabalho externo para desempenho de funções permanentes na empresa e a inclusão dos trabalhadores nos quadros do Lidl; assim como formação profissional de sensibilização para o cumprimento das regras de segurança e prevenção no trabalho.