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Greve encerra cantinas em mais de 80 escolas do Centro

A greve das trabalhadoras das cantinas escolares da região Centro obrigou ao encerramento dos refeitórios em mais de 80 estabelecimentos. Em causa estão os baixos salários e o incumprimento das categorias profissionais. 

Trabalhadoras das cantinas escolares da região Centro durante a manifestação desta manhã, em Coimbra
Trabalhadoras das cantinas escolares da região Centro durante a manifestação desta manhã, em CoimbraCréditosPaulo Novais / Agência Lusa

Na concentração convocada junto à Escola D. Maria II, em Coimbra, o dirigente do Sindicato da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro (STIHTRSC/CGTP-IN), António Baião, afirmou que «50% dos refeitórios estão encerrados» devido à greve. 

Na zona de Coimbra, acrescentou, 80% das escolas estão com refeitórios encerrados, enquanto no distrito de Viseu se registou uma adesão de 70%.

As várias irregularidades praticadas pela Indústria e Comércio Alimentar (ICA), empresa concessionária que garante o funcionamento e gestão dos refeitórios de 174 escolas da região Centro (escolas de 2.º e 3.º ciclos e secundárias) até ao ano lectivo 2020/2021, deram o mote aos protestos. 

António Baião denuncia que a ICA não cumpre o caderno de encargos definido com a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste). Entre as denúncias, destaca a falta de pessoal que obriga a intensos ritmos de trabalho, a pressão exercida sobre os trabalhadores, a falta de produtos e a violação da categoria profissional das cozinheiras.

Explica que «a empresa fez um contrato de cozinheira de terceira quando era cozinheira de segunda» e que «uma cozinheira de terceira ganha mais dois euros do que o salário mínimo nacional, ou seja, mais dois euros do que as colegas ao lado, que não têm a responsabilidade de confeccionar». Alerta, no entanto, que se estas trabalhadoras tivessem contrato de cozinheira de segunda ganhariam «mais 49 euros por mês».

O dirigente sindical revela ainda que as trabalhadoras têm contratos de nove meses, sendo «subcontratadas por uma empresa de trabalho temporário» as trabalhadoras com horário reduzido. 

«O Estado não se pode demitir do seu papel fiscalizador», conclui. 

Após a concentração, trabalhadoras e dirigentes sindicais dirigiram-se até à Dgeste para entregar uma moção sobre as condições das trabalhadoras da ICA.

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