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Falta de médicos ameaça funcionamento da Urgência Pediátrica de Évora 

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul afirma que a situação da Urgência Pediátrica do Hospital do Espírito Santo de Évora tem vindo a piorar e exorta a directora clínica a prestar esclarecimentos.

Créditos / S+

Foi a 31 de Agosto que o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS/FNAM) alertou para o risco de encerramento do Serviço de Urgência Pediátrica do Hospital de Évora devido à falta de médicos especialistas. De lá para cá, o problema não só não se resolveu, como a dificuldade em assegurar a urgência foi «agravada», critica num comunicado emitido esta segunda-feira. 

O SMZS conta que, no passado dia 6 de Outubro, a directora clínica «determinou a diminuição do nível de cuidados prestados à população», passando de dois pediatras para «um médico de Pediatria ou, na sua impossibilidade, com um interno dos últimos 12 meses de formação e com prestadores de serviço com treino na área pediátrica».

Dez dias depois, numa reunião com o SMZS, a directora clínica transmitiu a «tentativa de resolução da situação, mediante a contratação de mais médicos».

Porém, denuncia o sindicato, no mês passado a responsável emitiu um documento dirigido ao Serviço de Pediatria e Unidade de Neonatologia a informar que aguardava, por parte destes serviços, uma «escala mensal totalmente preenchida em conformidade com o decidido», e que o Conselho de Administração «não tem obstáculos em autorizar o preenchimento de uma escala de urgência que, de forma sustentada, garanta o funcionamento do serviço 24 horas/7 dias [e que] poderão ser escalados dois pediatras/24 horas».

De acordo com o SMZS, que exorta a directora clínica a prestar esclarecimentos públicos, neste momento estão disponíveis apenas quatro especialistas em pediatria, situação que «tem exigido da parte destes médicos um excesso sobre-humano de horas extraordinárias», ameçando a sua segurança, mas também a dos próprios doentes. 

Perante isto, a estrutura sindical condena a postura da directora clínica, de pressionar os médicos pediatras «a trabalharem até à exaustão», e lembra que, de acordo com a população abrangida pelo Hospital de Évora (cerca de 470 mil habitantes) e a legislação em vigor, o Conselho de Administração «é obrigado a ter um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico, do qual faz parte uma urgência pediátrica com a "presença física permanente de pelo menos dois pediatras"». 

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