Depois de redução de 10 milhões em custos com pessoal desde 2010

Dona do «Correio da Manhã» quer despedir dezenas

No dia em que anunciou lucros superiores a 4 milhões de euros, a Cofina anunciou uma redução de 10% nos custos e abriu a porta à utilização de «todas as armas legais» para avançar para despedimentos.

Redacção da CMTV, canal de televisão do grupo Cofina
CréditosAndre Kosters / Agência LUSA

A empresa que detém vários títulos de imprensa e a CMTV distribuiu uma informação interna aos seus trabalhadores em simultâneo com a apresentação dos resultados de 2016, que deram lucros de 4,3 milhões de euros.

De acordo com o Sindicato dos Jornalistas (SJ), «vários jornalistas do grupo têm sido chamados e confrontados com propostas de rescisão de contrato». Em reunião com a administração da Cofina, o SJ recebeu como resposta que está a ser equacionado o recurso a «todas as armas legais» para «emagrecer a estrutura». De acordo com um comunicado do sindicato, os administradores da dona do Correio da Manhã, do Record, do Jornal de Negócios e da revista Sábado afirmaram «que as receitas actuais não aguentam "a folha salarial" corrente».

Ainda no final do ano passado, num encontro anterior entre o SJ e a administração da Cofina, tinha sido afastado um cenário de despedimento colectivo. De acordo com o Jornal de Notícias, o processo pode resultar no despedimento de 80 trabalhadores do grupo. A intenção foi confirmada por fonte oficial da Cofina Media, a empresa do grupo que detém as publicações, também à Agência Lusa.

Lucros continuam acima dos 4 milhões de euros

A administração da Cofina justifica a decisão com a quebra de receita, destacando a diminuição dos proveitos com publicidade. No entanto, os lucros do grupo mantêm-se acima dos 4 milhões de euros, um valor em linha com os resultados apresentados desde 2010.

Desde então, a Cofina reduziu os seus custos com pessoal em quase 10 milhões de euros, de 40 milhões em 2010 para pouco mais de 31 milhões no último ano. Recorde-se que este período coincidiu com o lançamento da CMTV, o canal de televisão do grupo.

O «segmento de jornais» da Cofina, o mais representativo, apresentou em 2016 uma subida de 1,2% nas receitas operacionais. Simultaneamente, registou um crescimento de 2 milhões de euros nos custos operacionais mas que, de acordo com a informação financeira revelada ontem, correspondem a investimentos em «produtos de marketing alternativo», que tiveram um aumento de lucros em perto de 2 milhões de euros – ou seja, o resultado foi nulo.

Na verdade, a razão por detrás da quebra nos resultados dos títulos da Cofina não se prende com os custos com pessoal ou mesmo com as receitas de publicidade, como foi apontado, já que representa uma diminuição global de 837 mil euros. Por outro lado, as receitas de circulação caíram 1,7 milhões de euros, perto do dobro da redução em publicidade.

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