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A crise da pandemia pode destruir 100 milhões de emprego só em 2021

O alerta parte da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, em relatório, avança ainda que a destruição de postos de trabalho prossegue ainda em 2022, numa estimativa de menos 26 milhões de empregos.

Segundo o relatório da OIT, Portugal «é um dos países mais desiguais»
CréditosFernando Veludo / Agência LUSA

Os dados constam do estudo «Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo da OIT: Tendências 2021», divulgado esta semana. Revela-se que, em consequência da crise associada à pandemia, poderão vir a ser destruídos, até 2023, dezenas de milhões de postos de trabalho.

No relatório actualizado sobre o impacto da pandemia no mercado de trabalho, OIT altera, para pior, a previsão feita no início deste ano, tendo em conta factores como o do ritmo lento da vacinação em muitos países, que se receia que possa atrasar a recuperação económica.

Estes números têm em conta não só os empregos destruídos, mas também as perdas decorrentes de reduções do horário de trabalho.

Em 2020, a OIT estimou que a pandemia destruiu horas de trabalho equivalentes a 255 milhões de empregos em todo o mundo, um número que espera que se reduza para mais de metade até 2021 e para cerca de um décimo até 2022. Não obstante, os números ainda negativos mostram, segundo a organização, que «a crise do emprego está longe de ter terminado».

De acordo com estas novas previsões, estima-se que o número de pessoas desempregadas no mundo se situe em 205 milhões em 2022, muito acima dos 187 milhões, em 2019.

A OIT revela ainda confiança na recuperação do mercado de trabalho no segundo semestre do ano, embora esta previsão esteja condicionada ao não agravamento da crise, com a desvantagem de um acesso desigual às vacinas e à capacidade limitada de muitas economias para apoiar medidas de estímulo orçamental e económico.

Aliás, isto reflecte-se no impacto, a nível mundial, das regiões mais afectadas por esta crise que, na primeira metade de 2021, foram a América Latina e as Caraíbas, e a Europa e Ásia Central. Nestes casos, as perdas de horas de trabalho estimadas excederam 8% no primeiro trimestre e 6% no segundo trimestre, em comparação com as perdas globais de horas de trabalho de 4,8% e 4,4%, nos mesmos períodos.

Por outro lado, a organização adverte que muitos dos novos empregos criados na esperada recuperação serão de pior qualidade do que aqueles que foram destruídos, o que pode prejudicar de forma particular os dois mil milhões de trabalhadores que já estão em situação de vulnerabilidade, porque vivem na economia informal.

«Não pode haver uma verdadeira recuperação sem uma recuperação de empregos dignos», defende o director-geral da OIT, Guy Ryder, que recomenda estratégias coordenadas entre governos para ajudar os sectores mais duramente atingidos.

De acordo com os dados divulgados, estima-se que existam agora mais 108 milhões «trabalhadores pobres», ou seja, aqueles que subsistem com menos de 3,2 dólares por dia. Este número representa um regresso aos números de 2015, e põe em causa o objectivo de desenvolvimento sustentável de erradicação da pobreza global até 2030.

O relatório da organização indica também que as mulheres foram mais prejudicadas do que os homens no mercado de trabalho durante a pandemia, como demonstra o facto de o emprego feminino se ter contraído 5%, em comparação com 3,9% para os homens. E o mesmo se pode dizer do emprego juvenil, que caiu 8,7% em 2020, enquanto a média para os trabalhadores mais velhos foi de 3,7%.

Entre diversas soluções apontadas pelo relatório para a definição de estratégias de saída da crise, estão, entre outras medidas, a promoção do crescimento económico, a criação de emprego produtivo, e o apoio aos rendimentos das famílias.

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