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CGTP responsabiliza Galp e Governo pela greve na Petrogal

O secretário-geral da CGTP-IN deslocou-se, nesta segunda-feira, à refinaria de Matosinhos para estar com os trabalhadores da Petrogal que estão em greve durante uma semana em defesa da contratação colectiva, dos seus direitos e por melhores condições de trabalho.

Trabalhadores recordam que a Galp fechou o primeiro semestre deste ano com lucros de 250 milhões de euros, numa subida de 1% face aos 247 milhões de euros obtidos no mesmo período do ano passado
Trabalhadores recordam que a Galp fechou o primeiro semestre deste ano com lucros de 250 milhões de euros, numa subida de 1% face aos 247 milhões de euros obtidos no mesmo período do ano passadoCréditosEstela Silva / Agência LUSA

Os trabalhadores da Petrogal iniciaram ontem a greve convocada, conforme antecipado pelo AbrilAbril, para exigir o aumento dos salários e «que a administração “pare a ofensiva” contra a contratação colectiva e os direitos sociais».

O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, esteve presente no piquete de greve em solidariedade com os trabalhadores de Matosinhos que estão em greve. O protesto, a registar uma adesão que ronda os 80%, prolonga-se até às 6h da próxima segunda-feira.

Em declarações à Agência Lusa, citadas pelo DN, Arménio Carlos responsabilizou a administração da Galp e o Governo pela greve, acusando ambas as partes de terem «responsabilidade exclusiva», pois «podiam ter actuado atempadamente para ajudar a encontrar uma solução e não o fizeram. E isso é grave».

A administração da empresa é ainda acusada de má-vontade por «não responder às solicitações dos trabalhadores para negociar e, sobretudo, às suas reivindicações», disse Arménio Carlos, que lamentou que a reunião desmarcada de Junho só se vá realizar «apenas no próximo dia 20» e afirmou que «essa reunião já se devia ter feito antes do início da greve, para procurar encontrar uma solução, e isso não foi feito».

Mediação tendenciosa

Relativamente à acção do Governo, que tem mediado o processo, o secretário-geral da CGTP-IN reiterou que «não basta dizer que é necessário dinamizar a contratação colectiva (...), é preciso tomar iniciativa, é preciso criar condições para que isso se faça, e o Governo, até agora, não o fez». Pelo contrário, «neste momento os despachos estão a sair para salvaguardar os interesses económicos das empresas», declarou Arménio Carlos.

Outros dirigentes sindicais também rechaçam a posição do Ministério do Trabalho e afirmam que, «já quando se trata de subscrever as posições patronais, o mesmo Ministério está sempre disponível, de caneta em punho, para assinar despachos anti-greve».

«A greve quando se faz tem um objectivo, é o último instrumento que os trabalhadores têm para pressionar as empresas e, isso, logicamente, implica prejuízo para as empresas».

Tais acções «põem em causa o direito dos trabalhadores de exercerem pressão sobre as empresas. Isto não pode ser e é grave que os ministérios do Trabalho e da Economia assumam este tipo de atitude», lembrou o secretário-geral da CGTP-IN.

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