Seguem-se dois meses de greves aos fins de semana e feriados

Adesão elevada à greve dos enfermeiros de Lisboa

A greve dos enfermeiros do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Norte, pela admissão de mais profissionais, teve uma adesão geral de 82%, com várias unidades onde se verifica a paralisação total.

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Os enfermeiros, por dinamização do SEP, têm desencadeado um intenso processo de luta, nomeadamente desde o ano passado
Os enfermeiros, por dinamização do SEP, têm desencadeado um intenso processo de luta, nomeadamente desde o ano passadoCréditos / União dos Sindicatos de Lisboa

O dia de greve, que conta com uma adesão de 100% em várias unidades, também contou com uma concentração em frente ao Centro de Saúde de Sete Rios. Seguem-se dois meses de greve aos fins de semana e feriados. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) lembra que a greve conta com o apoio da Comissão de Utentes da Cidade de Lisboa.

Em causa nos motivos da greve está a carência de enfermeiros, uma vez que existem 325 mil utentes inscritos para um total de 126 enfermeiros. O sindicato estima que são necessários mais 140 profissionais para dar resposta às necessidades dos utentes.

Em causa nos motivos da greve está a carência de enfermeiros, uma vez que existem 325 mil utentes inscritos para um total de 126 enfermeiros.

O SEP informa que, segundo a direcção executiva do ACES, estão perspectivadas 12 vagas para o próximo concurso e está a ser negada, pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a possibilidade «de mobilidade/cedência de interesse público».

A carência de enfermeiros tem várias consequências para os utentes, denuncia o SEP. Reduz o horário de atendimento nas consultas de enfermagem de saúde infantil e da saúde materna e provoca a suspensão de vários programas que requerem intervenção dos enfermeiros, designadamente, diabetes, unidade móvel e consulta domiciliária ao recém-nascido. É ainda apontada a dificuldade de constituição e de resposta das equipas de cuidados continuados integrados, nomeadamente de consultas de enfermagem em contexto domiciliário.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) lembra que a greve conta com o apoio da Comissão de Utentes da Cidade de Lisboa.

As consequências da falta de enfermeiros também se estende aos próprios trabalhadores, uma vez que muitas actividades regulares são prosseguidas através da realização de trabalho extraordinário – chegando às 20 horas por mês por enfermeiro. Também o atendimento complementar aos sábados, domingos e feriados é prosseguido integralmente através da realização de trabalho extraordinário. Segundo o SEP, «a insatisfação e a exaustão atingiram os limites».

Está convocada uma greve dos enfermeiros para os dias 30 e 31 de Março. Entre outras questões, estão em causa as 35 horas para todos os enfermeiros, o pagamento do trabalho extraordinário, a contratação de enfermeiros e o fim dos vínculos precários.

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