|Sugestões culturais

Para toda a gente, tudo

Escolher é difícil, sobretudo quando o cérebro entra em modo «se aqui está assim, imagina lá em Beja», por isso começo esta colaboração com ar condicionado ou aproveitando a brisa nocturna.

Joana Manuel
Joana ManuelCréditos

Ch-ch-ch-ch-changes

Temos Bowie durante todo o mês na Cinemateca. Esta frase basta-se a si mesma, mas vá, desenvolvo: dentro e fora do écran, temos Ziggy (o filme de D.A.Pennebaker), temos o seu Andy Warhol no Basquiat de Julien Schnabbel, temos a Lost Highway de Lynch com o seu (e de Brian Eno) I’m Derranged, que abre e percorre todo o filme, temos o inevitável Merry Christmas, Mr. Lawrence, de Oshima, temos Mauvais Sang, de Carax, onde se vive o Modern Love, temos até o Velvet Goldmine, de Todd Haynes, com o qual Bowie não teve nada a ver, mas que vive de Bowie e de Iggy Pop.

A Cinemateca é um mundo

Ainda na Barata Salgueiro, no programa «Olhares do cinema sobre o trabalho», é de espreitar a sessão que reúne o filme de propaganda Comícios anti-comunistas, testemunho das manifestações organizadas pela ditadura portuguesa em apoio ao regime nacionalista espanhol, com duas curtas francesas sobre a greve na fábrica Rodhiaceta, em Besançon, em Março de 1967: A bientôt, j’espère, de Chris Marker e Mario Marret, e Classe de lutte, do Grupo Medvedkine de Besançon, em primeira exibição na Cinemateca. Dia 20 de Julho, às 18h30, na Sala Luís de Pina.

No mesmo horário e na mesma sala, cinco dias depois, podemos ver o Cerromaior, de Luís Filipe Rocha, a partir do romance de Manuel da Fonseca.

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Voltando à temperatura do ar, é não perder também o luxo do Cinema na Esplanada: já hoje, 16, às 22h30, o meu Billy Wilder preferido e talvez a minha Dietrich preferida (ex-aequo com a presença de olhar semicerrado n’A Sede do Mal), Testemunha de Acusação — como se não bastasse a Dietrich, a parelha é Charles Laughton e a história é Agatha Christie; dia 30, mais um banquete de Wilder, O Apartamento — Jack Lemon e Shirley MacLaine, que mais pode uma noite de verão pedir?

O bilhete normal vale 3,20 euros e há descontos para juniores, séniores e famílias. Não há desculpa para não aproveitar a Cinemateca. Toda a programação para guardar nos favoritos do browser.

Brisa nas árvores e aviões a passar

Quinta-feira, dia 4, o Jazz em Agosto 2016 começa em beleza, com duas noites seguidas de Marc Ribot, primeiro com The Young Philadelphians+Lisbon String Trio, depois a solo (sexta, dia 5), no anfiteatro da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Para a carteira não é um festival simpático, mas a música geralmente alucinante em trio com o jardim da FCG e a rota aérea para a Portela, cria momentos inesquecíveis.

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Até 14 de Agosto, para além dos concertos, três conferências e três filmes, com entrada livre. Vale a pena consultar o programa e, se for caso disso, tirar à sorte e ir, à confiança.

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