Patrice Lumumba foi o primeiro Primeiro Ministro da República do Congo. Nasceu a 2 de Julho de 1925, em Sancuru, província de Kasai. Estudou em colégios de missionários católicos e protestantes e posteriormente trabalhou nos correios, iniciando suas atividades políticas que visavam a libertação do Congo do colonialismo belga. Percebeu que para isso seria necessário suplantar as diferenças tribais entre as populações negras do Congo. Envolveu-se na redacção de uma declaração que defendia a imediata independência do país. Em 1958 fundou o MNC – Movimento Nacional Congolês. Defendia a independência de todo o país e a união de todos os congoleses, independentemente de suas origens tribais.
O governo belga e as multinacionais que exploravam as riquezas do país e mantinham o seu poder através de violenta repressão, tiveram de lidar com frequentes revoltas populares e a condenação da opinião pública internacional. Até considerarem que não seria mais possível manter o controlo sobre o país africano. Ocorreram várias e longas perseguições a Lumumba, visto como um líder radical pelo governo belga. Nas eleições de 1960, o MNC venceu e Lumumba tornou-se Primeiro Ministro, levando a nação congolesa à independência a 30 de Junho.
Lumumba procurou promover mudanças na vida social e económica do povo, vítima da exploração belga e das elites tribais locais. Isso provocou a reacção das mesmas que, com o apoio da CIA – governo Eisenhower – e do governo belga, levaram à sua destituição pelo Presidente Joseph Kasavubu, cuja autoridade foi contestada por Lumumba.
A CIA organizou uma conspiração com militares golpistas comandados pelo coronel Mobutu com o «objectivo urgente e prioritário» de assassinar Lumumba, considerado «um perigo grave» para os EUA.
Mobutu viria a assumir mais tarde a liderança do país, rebaptizado como Zaire, implantando uma ditadura sangrenta onde reinou despoticamente até 1997, como um fantoche dos Estados Unidos e das potências ocidentais. Lumumba foi preso em Novembro e barbaramente torturado e assassinado a 17 de Janeiro de 1961. Tinha 35 anos.
Na sua curta e tumultuada carreira política, Patrice Lumunba optou por se alinhar aos valores anti-imperialistas e do pan-africanismo, defendendo consistentemente a solidariedade entre os povos da África para além dos limites da nação, etnia, cultura, classe e sexo, encorajando a luta contra o colonialismo e apelando ao diálogo entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
No início dos anos 2000, após a publicação do livro O assassinato de Lumumba, a Bélgica criou uma comissão parlamentar, que apontou que o governo belga teve uma parcela de culpa e responsabilidade moral nos eventos que desencadearam a morte do líder político. Em 2007, documentos secretos tornados públicos revelam que a CIA também tinha planos para assassinar Lumumba. Depois de 53 anos do assassinato, o governo dos Estados Unidos reconheceu que o país se envolveu tanto na destituição política como na morte do líder congolês.Em 2013 também foi revelado participação do Reino Unido na trama para derrubar Lumumba.
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