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Multidões nas ruas em defesa do ensino superior público argentino

Centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se em todo o país austral no âmbito da quarta marcha federal em defesa das universidades públicas, exigindo o cumprimento da Lei do Financiamento.

Em Buenos Aires, a quarta marcha federal em defesa das universidades públicas foi gigantesca CréditosEdgardo Gómez / Tiempo Argentino

Reitores, estudantes, trabalhadores docentes e não docentes foram os principais dinamizadores da mobilização desta terça-feira em defesa do ensino superior público – a quarta Marcha Federal Universitária desde que Javier Milei assumiu o cargo, há quase dois anos e meio.

Sublinhando que o governo libertário tem de cumprir a Lei do Financiamento aprovada em Outubro do ano passado, os organizadores solicitaram ao Supremo Tribunal de Justiça que não permita que a situação de «incumprimento» se arraste.

Em Buenos Aires, na Praça de Maio, os membros da Federação Universitária Argentina (FUA) leram um documento em que acusam o Poder Executivo de, «num acto sem precedentes de desprezo institucional, ter decidido insurgir-se contra os outros dois poderes».

«Ignora a Lei n.º 27.795, de Financiamento das Universidades, aprovada e ratificada por larga maioria no Congresso, e desconsidera as decisões judiciais que determinam o seu cumprimento imediato», afirmaram.

«Quando o governo decide que leis cumprir e que decisões judiciais acatar, o que se rompe não é apenas o orçamento universitário, mas o contrato social que nos mantém livres e regidos pelo Estado de Direito», sublinharam.

Universidades e investigação públicas, «motores da economia»

Os representantes da FUA afirmaram ainda que as universidades públicas e o sistema público de investigação «são motores fundamentais da economia do país» e, além disso, servem como recursos estratégicos que permitem à indústria nacional «competir mundialmente» e «gerar emprego com plenos direitos e sustentabilidade ambiental».

«Qualquer projecto de país necessita de uma universidade de excelência que contribua para o seu desenvolvimento através da soberania científica, tecnológica e artística», acrescentaram, citados pelo Tiempo Argentino.

No mesmo sentido, exortaram os presentes a não permitirem que «os pilares das nossas universidades – docentes, não docentes, investigadores e estudantes – sejam expulsos do sistema», e apelaram à defesa das universidades públicas, «por mais e melhor educação pública e ciência».

Ampla participação

Na mobilização da capital argentina, participaram o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, vários senadores e deputados da oposição, de partidos peronistas e de esquerda.

Também se fizeram representar várias organizações sindicais e sociais, que apoiaram a marcha, bem como membros da comunidade científica do país, uma vez que a área da investigação vive «uma situação-limite», marcada pela falta de financiamento e pela desvalorização dos salários.

Muitas outras cidades argentinas foram palco de mobilizações em defesa do ensino superior público, como Rosário, La Plata, Córdoba ou Mendoza, com as mesmas exigências de cumprimento da legislação e de valorização salarial para os trabalhadores docentes e não docentes.

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