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Ferreira do Alentejo: haverá eleições intercalares porque o PS deu a mão ao Chega

A freguesia de Ferreira do Alentejo vai ser palco de eleições intercalares e tudo graças a um bloqueio do PS que recusou um acordo de gestão que daria maioria à CDU, vencedora das eleições por maioria relativa. PS propôs integrar o Chega no Executivo e CDU não aceitou. 

A Freguesia de Ferreira do Alentejo vai ser palco de eleições intercalares depois de a CDU ter anunciado a renúncia a todos os seus mandatos, na sequência de um longo impasse político com o Partido Socialista (PS) sobre a composição da Junta de Freguesia.

Nas Eleições Autárquicas de Outubro passado, a CDU venceu na freguesia com maioria relativa, obtendo 44,14% dos votos e elegendo quatro membros para a Assembleia de Freguesia. O PS ficou a uma curta distância, com 42,81% e também quatro eleitos. Já o Chega conquistou apenas 10,5% dos votos e elegeu um membro. 

Dado os resultados e de acordo com a lei, a primeira reunião da Assembleia de Freguesia elege os membros do executivo da Junta, sendo o presidente o primeiro candidato do partido mais votado. Coube, portanto, à CDU liderar o processo.

Posto isto, a CDU avançou com uma proposta que respeitava os resultados eleitorais e a vontade popular. O executivo da Junta de Freguesia ficaria, então, composto por três membros: a presidência ficaria para a CDU, ao que se juntaria um membro do PS e outro da CDU, algo que na prática, daria dois elementos à CDU e um ao PS, seguindo o método de Hondt.

Além disso, a CDU ofereceu ao PS a presidência da Mesa da Assembleia de Freguesia, um gesto que, dadas as votações, garantiria um equilíbrio entre as duas maiores forças políticas locais.

Quem não gostou da proposta foi o PS que a rejeitou liminarmente e apresentou uma solução alternativa que gerou imediatamente polémica: presidente da Junta pela CDU, tesoureiro pelo Chega e secretário pelo PS.

A coligação que integra o PCP e o PEV considerou a proposta inaceitável por três motivos: pervertia os resultados eleitorais; obrigava a CDU a co-governar com o Chega; e duplicaria a representação do Chega, pois caso entrasse no executivo, subiria um novo eleito para a Assembleia de Freguesia, reforçando a sua presença.

Apesar de várias tentativas de negociação, incluindo propostas da CDU para que o PS escolhesse entre o cargo de tesoureiro ou secretário da Junta, o PS manteve a sua posição durante meses. O impasse repetiu-se ao longo de sete assembleias de freguesia, sem que fosse possível formar executivo. A CDU acusa o PS de preferir quatro anos de instabilidade, bloqueio e desgaste, a aceitar uma solução de compromisso que respeitasse a vontade popular.

Perante a inviabilidade do diálogo, a CDU tomou uma decisão inédita: todos os seus eleitos e candidatos naquela freguesia renunciaram ao mandato. Este gesto força, deste modo, a realização de eleições intercalares, devolvendo a palavra aos eleitores.

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