É uma comédia melancólica com pinceladas de meta-humor. Óculos de Sol Pretos é o primeiro trabalho de Pedro Ramalhete que procurou retratar os bastidores onde se prepara a sétima arte. O filme acompanha João, um jovem desempregado, e Clara, assistente de produção, que se reencontram por acaso na rua e recordam os tempos da escola de cinema.
Este encontro acaba por ser fortuito para João com Clara a convidá-lo para integrar a produção de um filme. Daqui começam as peripécias, aqueles acontecimentos que podiam parecer anedóticos se não fossem baseados em pequenas tragédias e comédias do quotidiano.
Este acaba por ser o ponto de partida para abordar o microcosmos do cinema português de autor, um lugar distante das mega produções hollywoodescas. O argumento, da autoria do realizador, mistura amor, ingenuidade e uma reflexão sobre a geração precária portuguesa, uma geração que fora alimentada com sonhos que dificilmente serão concretizados.
No trailer de Óculos de Sol Pretos lê-se que «o cinema é uma canceira». A frase é um desabafo de um apaixonado e é por isso que Pedro Ramalhete quis retrar o panorama cinematográfico português, tanto na crítica (o ambiente tóxico, a precariedade, o lado obsessivo, as desigualdades de poder), como na paixão (com várias cartas de amor endereçadas a realizadores nacionais), conforme se lê na sinopse do filme no site do IndieLisboa.
Protagonizado por Henrique Gil e Júlia Valente, com direção de fotografia de Manuel Pinho Braga, som de Miguel Coelho e edição de Bruno Abib, e produção da Ar de Filmes, o filme ainda pode ser visto no IndieLisboa, estando integrado na Competição Nacional, «vitrine para a revelação de novas vozes em Portugal».
Depois de duas sessão no festival, o filme pode ainda ser visto no próximo sábado, no dia 9 de Maio 2026, às 21h30, no Cinema Ideal.
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