|Cândido Mota

Desapareceu a voz anfitriã do «Avante!», «porventura, a melhor de sempre da rádio»

O antigo radialista Cândido Mota, durante décadas a voz anfitriã da Festa do Avante!, «porventura, a melhor voz de sempre da rádio e da locução portuguesas», reconheceu Herman, morreu este domingo, aos 82 anos. 

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

Cândido Soares Pinto da Mota, nascido a 28 de Setembro de 1943, em Espinho, uma das vozes mais marcantes da história da rádio e percursora dos programas interactivos, de que é exemplo maior «O passageiro da noite», faleceu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado.

O radialista, que se destacou na apresentação de vários programas, teve uma colaboração duradoura na televisão com Herman José, sendo de destacar o icónico programa «Roda da Sorte». Este domingo, o humorista recordou o amigo como «porventura, a melhor voz de sempre da rádio e da locução portuguesas». 

«Havia nele uma bondade que encantava, num mundo tantas vezes agressivo e combativo», disse, sublinhando também a competência profissional do locutor e a sua fidelidade enquanto amigo. 

O PCP, por sua vez, recorda que Cândido Mota tornou-se uma «presença indissociável da Festa do Avante!, onde foi, durante mais de 35 anos, a voz anfitriã e o rosto do Palco 25 de Abril», considerando que a sua voz era «um símbolo de serenidade e entusiasmo».

A par de «uma das figuras mais emblemáticas da comunicação», o partido salienta que Cândido Mota, militante comunista, foi um «cidadão profundamente empenhado na intervenção social e cultural». Em comunicado, o secretariado do PCP considera que o locutor afirmou-se «como uma das figuras mais emblemáticas da comunicação em Portugal, cruzando uma carreira de excelência na rádio e televisão com um compromisso cívico e político inabalável».

«A sua consciência política manifestou-se cedo, tendo vivido por dentro o momento fundacional da democracia portuguesa ao encontrar-se nas instalações do Rádio Clube Português, o centro de comando do Movimento das Forças Armadas, durante a Revolução de 25 de Abril de 1974, onde permaneceu durante vários dias ao lado de colegas como Luís Filipe Costa e Joaquim Furtado, assegurando a continuidade das emissões que informavam o país sobre a queda da ditadura», lê-se na nota.

Acrescenta que, entre 1986 e 1988, o radialista foi «uma das vozes relevantes da Telefonia de Lisboa, uma rádio progressista onde Cândido Mota se notabilizou num programa de entrevistas chamado Rua do Mundo e na leitura de uma rubrica diária sobre canção política, da autoria de Rúben de Carvalho, intitulada Panfletos».

O velório de Cândido Mota realiza-se esta segunda-feira, a partir das 16h, na casa mortuária da Igreja São João de Deus, em Lisboa. Amanhã, o cortejo fúnebre segue para o Cemitério do Alto de São João, onde a cremação acontecerá às 13h.

Com agência Lusa

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