O diplomata proferiu estas declarações numa entrevista a um canal norte-americano, esta quarta-feira, horas depois de Israel ter levado a cabo o maior ataque militar contra o Líbano nas últimas semanas, matando pelo menos 254 pessoas e ferindo 1165.
Segundo refere a Al Mayadeen, no espaço de duas horas, as forças sionistas lançaram cerca de 150 ataques aéreos contra várias regiões do país dos cedros, incluindo Beirute, o Sul, o Vale de Bekaa e o Monte Líbano, atingindo sobretudo infra-estruturas civis e bairros residenciais.
Em função destes ataques, os maiores desde o começo da mais recente ofensiva israelita contra o país, a 2 de Março, e que violam o acordo de cessar-fogo alcançado entre os EUA e o Irão, o Líbano declarou um dia de luto nacional.
O acordo é claro
Depois destes factos, o primeiro-ministro do Paquistão veio a público reafirmar que o acordo alcançado, anunciado na madrugada de quarta-feira, abrange a cessação de hostilidades no Líbano.
Em declarações à imprensa norte-americana, o embaixador em Washington, destacou que esse acordo de trégua incluía o Líbano e «não podia ser mais autêntico» em relação ao que as duas partes tinham acordado.
O diplomata paquistanês acrescentou que o ataque israelita desta quarta-feira ao Líbano é mais um caso de um cessar-fogo que «pode ser rompido» pelas acções de Israel.
«Já houve casos no passado em que cessar-fogos foram interrompidos», observou, citado pela PressTV, referindo-se às violações habituais, por parte de Israel, de cessar-fogos acordados, como ocorreu anteriormente com o Líbano e como ocorre agora com o acordo da trégua alcançada na Faixa de Gaza.
Israel declarou logo que o Líbano ficava de fora
Poucas horas depois do anúncio de cessar-fogo, o governo israelita, liderado por Benjamin Netanyahu, declarou que apoiava a decisão dos EUA de suspender os ataques ao Irão por duas semanas, mas, de forma unilateral, anunciou que o Líbano não estava incluído no acordo.
A declaração israelita e as acções militares subsequentes contradizem de forma directa o anúncio de cessar-fogo feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que declarava a inclusão do Líbano, bem como o facto de a trégua ter efeitos imediatos.
Janet Abou-Elias, investigadora do programa Democratizar a Política Externa do Quincy Institute for Responsible Statecraft, disse ao portal Common Dreams que Israel foi largamente marginalizado das negociações de cessar-fogo entre o Irão e os EUA, que culminaram num acordo considerado «catastrófico» pela parte sionista.
«Aquilo a que temos assistido desde então parece ser uma tentativa de Israel de minar um processo diplomático sobre o qual tinha perdido influência», disse Abou-Elias.
Irão pode reverter o processo se os ataques ao Líbano persistirem
Segundo refere o portal The Cradle, o Irão poderia boicotar as negociações previstas para Islamabade com os EUA, bem como reverter a decisão de reabrir o Estreito de Ormuz
«O Irão informou os mediadores regionais que a sua participação nas negociações com as autoridades norte-americanas em Islamabade está condicionada a um cessar-fogo no Líbano», disseram fontes oficiais iranianas. «O país poderá também reverter a sua decisão de reabrir o Estreito de Ormuz», acrescentaram.
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