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Comércio do BRICS ultrapassa um bilião de dólares e transforma economia mundial

O valor atingido em 2025 reforça um novo eixo económico, com uma maior integração entre países emergentes e uma menor dependência dos chamados mercados tradicionais.

Lula da Silva a intervir na sessão plenária da XVII Cimeira do BRICS, no Rio de Janeiro, a 7 de Julho de 2025 Créditos / @LulaOficial

O comércio entre os países do grupo BRICS ultrapassou a marca de um bilião de dólares (cerca de 868 mil milhões de euros), consolidando uma transformação de relevo na economia mundial.

Este patamar reflecte o reforço das relações comerciais entre economias emergentes e a integração crescente dos seus mercados, com diminuição da dependência de polos tradicionais.

De acordo com dados divulgados pela rede TV BRICS, o volume de trocas entre os países do bloco atingiu um novo patamar em 2025, fortalecendo o papel do grupo como aliança comercial e um dos principais centros de comércio do mundo.

Em declarações à TV BRICS, Guillermo Miguel Rocafort Pérez, professor da Faculdade de Ciências Económicas, Empresariais e de Comunicação da Universidade Europeia de Madrid, disse que «o volume de comércio na região do BRICS está a passar por um crescimento acelerado, caracterizado pelo aumento do uso das moedas locais [...]».

Em seu entender, este processo «é impulsionado pela integração económica e pela expansão do grupo, conhecido como BRICS+, com a inclusão de novos países».

BRICS ganha peso no comércio mundial

Actualmente, o bloco representa cerca de um quarto do comércio global e quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, factores que colocam o grupo como agente central nas decisões económicas internacionais.

A China continua a ser o principal motor deste processo, concentrando grande parte das exportações industriais e funcionando como centro logístico e financeiro.

«A China funciona como um pilar de demanda, absorvendo matérias-primas, energia e alimentos, além de ser o principal fornecedor de produtos industriais, máquinas e bens intermediários, actuando efectivamente como um formador de mercado em vários segmentos dentro dos países do BRICS», observou a este propósito Erik Escalona Aguilar, professor assistente da Universidade Bernardo O'Higgins (Santiago do Chile), em declarações à fonte.

Moedas locais diminuem dependência do dólar

Outro elemento destacado por especialistas no avanço do comércio interno é a utilização crescente de moedas locais nas transacções entre os países, prática que contribui para reduzir os custos cambiais e a exposição ao dólar, reforçando a autonomia financeira do bloco.

Nesse sentido, sublinham que os países do BRICS estão a criar uma sinergia macroeconómica em diversos sectores, que é fortalecida pelo uso das moedas nacionais em transacções e pagamentos.

«Uma das principais razões para o crescimento do comércio entre os países do BRICS foi o aumento do uso das moedas locais, conforme acordado nas cimeiras dos chefes de Estado do BRICS na Rússia em 2024 e no Brasil em 2025. [...] Outro factor importante foi o fortalecimento de toda a cadeia de produção graças à cooperação Sul-Sul», afirmou Aníbal Garzón, especialista em Relações Internacionais.

Importância especial dos recursos naturais

O BRICS tem uma importância especial no mercado global de recursos naturais, refere a fonte, sublinhando que os países do grupo representam mais de 40% da produção mundial de petróleo e cerca de 25% das exportações globais de matérias-primas.

Além disso, cerca de 30% das reservas de minério de ferro estão localizadas nos países do BRICS. Nesse contexto, acrescenta, destacam-se países como Brasil, Rússia, China, Índia, Irão e África do Sul.

Logística e corredores de transporte

Além da utilização das moedas nacionais nos pagamentos, o desenvolvimento da logística e das tecnologias é igualmente determinante na dinamização do crescimento dos negócios e do comércio no BRICS.

Com países localizados a grandes distâncias uns dos outros (América Latina, África, Médio Oriente, Ásia-Pacífico, Eurásia), os custos comerciais aumentam, pelo que a criação de corredores de transporte se afigura determinante.

«O desenvolvimento de corredores de transporte, ao reduzir o tempo de trânsito e os custos logísticos, age como um multiplicador directo do comércio: onde as rotas estratégicas oferecem uma economia substancial de tempo, a competitividade e o potencial de comércio aumentam», afirmou Erik Escalona Aguilar.

Neste sentido, o desenvolvimento de corredores de transporte no seio do BRICS constitui uma tentativa de transformação fundamental da logística dos países do Sul Global e, em simultâneo, uma oportunidade para reduzir a dependência das rotas comerciais existentes.

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