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Lucro diário de 14 milhões de euros. Banca bate recordes e traz à luz a desigualdade

Os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram lucros agregados superiores a cinco mil milhões de euros em 2025, ano em que CGD, BCP e Novo Banco registaram os maiores resultados das suas histórias.

Banqueiros do BPI, Crédito Agrícola, Millenium BCP, CGD e Banco Montepio posam junto ao director do DN durante o painel «O estado da nação na banca», na 8.ª Money Conference. Lisboa, 26 de Maio de 2025
CréditosAndré Kosters / Agência Lusa

No total, os cinco maiores bancos, que representam mais de 80% do sistema bancário, tiveram em 2025 lucros líquidos totais (já depois de impostos) de 5226,5 milhões de euros, mais 5,9% do que em 2024, segundo contas da Lusa. Confirma-se, assim, que o ano de 2025 foi, até agora, o de maior lucro agregado dos principais bancos, com mais de 14 milhões de euros de lucros líquidos diários.

Nos últimos anos, a banca portuguesa tem vindo a bater sucessivos recordes de lucros. Quando saíram os resultados de 2023, analistas consideraram que tinha sido atingido um pico excepcional e previam que em 2024 o sector continuaria fortemente lucrativo mas a níveis inferiores devido, desde logo, à descida das taxas de juro.

Mas 2024 foi novamente um ano de recordes, tendo os lucros agregados da banca portuguesa suplantado os de 2023. Agora soube-se que 2025 bateu novo recorde.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve lucros de 1904 milhões de euros em 2025, os lucros do BCP ascenderam a 1018,6 milhões de euros (mais 12,4% face a 2024) e os do Novo Banco a 828,1 milhões de euros (mais 11,2%). O Santander Totta registou lucros de 963,8 milhões de euros, mais 0,5%. Já o BPI viu os lucros reduzirem-se 13%, alcançando ainda assim 512 milhões de euros.

Recordes alimentados por borlas e comissões

Os lucros da banca têm sido sustentados pela manutenção de importantes ganhos na margem financeira (principais receitas de um banco, sendo a diferença entre juros cobrados no créditos e juros pagos nos depósitos), num contexto em que as famílias que foram empurradas para a compra de habitação suportam prestações que subiram de forma significativa nos últimos anos, o mesmo acontecendo com as micro, pequenas e médias empresas que conseguem aceder ao crédito.

As comissões cobradas também ajudam ao aumento dos lucros, bem como os ganhos (para os accionistas dos bancos) com operações financeiras e a devolução pelo Estado do adicional de solidariedade (imposto devolvido aos bancos após o tribunal ter considerado inconstitucional), não sendo de negligenciar o efeito da redução da taxa de IRC, que tem precisamente nos grandes grupos económicos e financeiros os seus principais beneficiários.

Os resultados agora divulgados não podem deixar de ser analisados no confronto com as dificuldades que passam as famílias devido aos baixos salários e valores das pensões, traduzindo assim os elevados e crescentes níveis de desigualdade no nosso país. Na mesma linha, num contexto em que persistem e aumentam as dificuldades no acesso à habitação, em que a necessidade de fortalecer a capacidade de resposta pública ficou evidente na sequência das recentes intempéries, e em que fazem falta verbas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ou, entre outras áreas, na Escola Pública, ganha relevo a opção do Governo de isentar os grandes grupos económico-financeiros do pagamento de impostos, com borlas fiscais aos que mais têm que retiram verbas para garantir direitos e o próprio desenvolvimento do País.


Com agência Lusa  

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