A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) emitiu um comunicado no qual dá conta que irá partir para a luta, face aos crescentes problemas que se avolumam no sector da agricultura. A acção de luta na sequência dos «avultados prejuízos» causados pelas intempéries que afectaram o país nas últimas semanas, estimando perdas que ultrapassam os mil milhões de euros.
Na visão dos agricultores as medidas anunciadas pelo Governo são insuficientes, criticando o valor limitado dos apoios simplificados e defendendo a necessidade de reposição efetiva da capacidade produtiva das explorações agrícolas.
Outro dos pontos centrais do protesto é a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) 2023-2027. A CNA sustenta que os agricultores portugueses continuam a auferir rendimentos significativamente inferiores aos de outras actividades económicas e alerta para o risco de perda de apoios comunitários. A organização acusa ainda a política agrícola em vigor de favorecer o grande agronegócio, em detrimento da agricultura familiar, e de não assegurar mecanismos eficazes de regulação do mercado.
A CNA manifesta igualmente oposição ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, assinado pela Comissão Europeia em Dezembro. Segundo a confederação, a entrada no mercado europeu de produtos agrícolas sem tarifas e com menores custos de produção poderá pressionar os preços pagos aos produtores nacionais. A mesma alerta ainda para potenciais impactos ambientais e sociais decorrentes de regras consideradas menos exigentes nos países exportadores.
No comunicado, a CNA expressa também preocupação com negociações em curso para novos acordos comerciais, nomeadamente com a Austrália, que poderão permitir a entrada sem tarifas de grandes quantidades de carne na Europa.
«Agricultores já prejudicados por baixos rendimentos, custos de produção elevados e pelos prejuízos causados pelas intempéries não aguentam mais sacrifícios», refere a CNA, que apela à mobilização do sector e exige ao Governo a defesa da produção nacional, do mundo rural e da soberania alimentar do país.
A concentração deverá reunir delegações de agricultores de várias regiões do país e culminar com a entrega de um conjunto de propostas e reivindicações ao Governo e à Comissão de Agricultura da Assembleia da República.
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