|25 de Abril

«Grândola, Vila Morena». Bobinas com senha do 25 de Abril são tesouros nacionais

A classificação dos dois fonogramas com a canção Grândola, Vila Morena, que deu início à Revolução, é o culminar de um processo desenvolvido desde 2023 pela Câmara de Grândola e pela Direcção Regional de Cultura.

Créditos / DR

Os dois fonogramas são um conjunto de três bobinas, sendo a primeira «correspondente à gravação do programa Limite, da Rádio Renascença, que na madrugada de 25 de Abril de 1974 deu início às movimentações militares que culminaram no golpe de Estado que pôs fim à ditadura».

As duas seguintes contêm «a gravação do Primeiro Encontro da Canção Portuguesa, realizado a 29 de Março de 1974, no Coliseu dos Recreios, cuja importância reside em contextualizar a escolha de Grândola, Vila Morena, de José Afonso, como senha da Revolução».

O processo de classificação foi aberto no final de Junho de 2024 e a proposta de classificação veio a ser publicada em Julho de 2025 em Diário da República, culminando esta segunda-feira com o decreto que classifica uma série de bens como tesouros nacionais, incluindo as bobinas.

Em 2024, a Museus e Monumentos de Portugal (MMP) lembrava que «o pedido de abertura do procedimento foi solicitado, em 29 de Novembro de 2023, pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo [extinta, bem como as restantes direcções regionais de Cultura, no último governo de António Costa] e pelo Município de Grândola».

A primeira bobina, propriedade da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, inclui a leitura da primeira quadra da canção Grândola, Vila Morena, a própria canção, efeitos sonoros a acompanhar a leitura, por Leite Vasconcelos, dos poemas Geografia e Revolução Solar, de Carlos Albino, incluindo ainda a canção Coro da Primavera, de José Afonso.

O segundo conjunto – propriedade da RTP – inclui duas bobinas com gravações do Primeiro Encontro da Canção Portuguesa, de 29 de Março de 1974, que aconteceu no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

«Os bens propostos são um conjunto de gravações originais e são portadores de memórias colectivas relacionadas com o 25 de Abril de 1974, representando e testemunhando factos nacionais relevantes, constituindo bens culturais móveis integrantes do património fonográfico à luz da Lei de Bases do Património Cultural», pode ler-se no despacho sobre este assunto, datado de Dezembro de 2023.

Ambos os conjuntos foram doados por Manuel Tomaz, responsável pelas gravações e co-autor do programa Limite, segundo a informação disponível no despacho.

«Queremos transformar [estes registos] em património nacional, dada a importância que eles têm e porque um dia corríamos o risco de se perderem», disse, em 2023, o então presidente da Câmara Municipal de Grândola, António Figueira Mendes.

«A extinta Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Câmara Municipal de Grândola propuseram a sua classificação, por serem símbolos maiores do 25 de Abril de 1974, que abriu caminho para a restauração da liberdade e da democracia ao terminar quatro décadas de um regime ditatorial», lê-se no decreto publicado esta segunda-feira.


Com agência Lusa

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