A notícia é avançada na edição desta segunda-feira do jornal Público, onde se recorda o plano previsto para o antigo Convento da Graça, fundado no século XIII. Classificado Monumento Nacional, integrou o lote de monumentos históricos que o primeiro executivo de António Costa entregou ao desbarato para reaproveitamento hoteleiro, no âmbito do criticado programa Revive, descaracterizando a história e o uso desse património.
Em 2019, o grupo Sana celebrou um contrato de concessão com o Estado português para transformar o edifício do Quartel da Graça num hotel de luxo. Na altura, recorda o Público, o Governo anunciava que o hotel de cinco estrelas no edifício seria inaugurado no final de 2022, com um investimento estimado de 30 milhões de euros, que incluía 120 quartos numa área bruta de construção superior a 15 mil metros quadrados.
No entanto, a cadeia hoteleira falhou várias das cláusulas do documento e deixou o edifício ao abandono e em «estado de crescente degradação», com «murais de azulejo destruídos, pedras de calçada em falta, telhas e janelas partidas, infiltrações, paredes grafitadas e detalhes arquitectónicos danificados».
«O contrato de concessão está em incumprimento desde o final de 2023, altura em que as obras já deveriam estar concluídas e a actividade do hotel iniciada, mas o Governo não esclarece se pretende aplicar coimas ou recuperar o imóvel para o Estado como consequência da violação do contrato», avança o diário.
O grupo Sana ficou obrigado a pagar um valor anual próximo de 1,79 milhões de euros ao Estado, mas só a partir de 2024, graças ao período de carência de quatro anos, o que perfaz um total superior a 3,5 milhões de euros. O Público perguntou ao Ministério das Finanças e ao Sana se os valores em causa estão a ser pagos, mas não obteve respostas. Acrescenta que questionou também o Governo sobre as consequências do incumprimento do contrato por parte do grupo Sana e «qual a estimativa de perda de receitas (directas e indirectas) para o Estado pelo facto de o imóvel concessionado ter sido deixado ao abandono, em vez de estar a ser utilizado como previsto», mas não obteve resposta até à publicação do artigo.
Entretanto, a população da Graça lamenta a descaracterização do bairro e exige «menos turismo» e «mais bairro».
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