A descoberta foi feita há duas semanas, numa obra privada a decorrer no centro histórico de Faro, entre as Portas do Mar e a Sé de Faro. O acompanhamento arqueológico da empreitada identificou, por entre pedaços de antigas colunas, a base de uma estátua romana com mais de duas toneladas e inscrições ainda legíveis. Os encaixes que sustentavam a estrutura ainda são visíveis no topo da base, o que indica que a estátua poderia mesmo atingir uma dimensão à escala real.
Foi necessária uma grua e um camião pesado para transportar a base para a reserva do Museu Municipal de Faro, onde aguardará um estudo mais aprofundado sobre as suas origens. Ao Barlavento, Nuno Teixeira, arqueólogo do museu, afirmou tratar-se da descoberta arquelógica mais relevante feita no Algarve dos últimos anos.
A uma curta distância do local onde foi descoberta a base, uma prospecção arqueológica realizada em 2025 confirmou a localização do templo do fórum romano da antiga cidade de Ossónoba, sobre a qual se edificou Faro. Fundada algumas centenas de anos antes de Cristo, Ossónoba atingiu o seu apogeu no século II d.c., assumindo-se como um dos mais importantes centros culturais e económicos da região.
Apesar das várias fraturas (Nuno Teixeira coloca a hipótese de a base ter sido usada para outros fins, mais práticos, ao longo das gerações seguintes), é possível reconhecer alguns dados nas inscrições. Por entre epítetos – «santíssima», «piíssima», «queridíssima» – é identificado o nome de Annia Avita, esposa de Iunius Artemonianus, numa homenagem feita, muito provavelmente, ainda em vida.
Sem uma actualização há mais de 20 anos, esta descoberta vai agora enquadrar-se no contexto de uma remodelação profunda da sala de arqueologia romana no Museu Municipal de Faro.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
