Os responsáveis do Lidl descrevem a instituição do salário mínimo de entrada na empresa em 1000 euros como o «maior investimento salarial da sua história», mas os valores anunciados «não reflectem a realidade», afirma, em nota enviada ao AbrilAbril, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN). Só os trabalhadores com contratos a tempo inteiro são contemplados por este aumento.
O problema, explica o sindicato, é que os horários a tempo inteiro estão «reservados apenas a uma pequena minoria de trabalhadores (sobretudo chefias)» – a grande maioria dos trabalhadores do Lidl exercem as suas funções em part-time, sujeitos a «horários rotativos e nocturnos, com alterações constantes e cargas excessivas de trabalho».
E sem esse trabalho, o Lidl não lucra. O CESP considera que o Lidl, uma cadeira de supermercados que tem expandido significativamente a sua operação em Portugal, adquirindo novas propriedades, construíndo novas lojas e renovando as mais antigas, «tem todas as condições para subir significativamente os nossos salários e garantir horários dignos e a tempo inteiro a todos os trabalhadores que os pretendam».
Também a subida anunciada pelo patronato para o subsídio de alimentação é fogo de vista. Na verdade, «só sobe para os trabalhadores que se comprometerem a gastá-lo todo nas lojas do Lidl», roubando aos trabalhadores a liberdade de gastar o seu subsídio de alimentação onde quiserem. O CESP continua a reivindicar «o aumento do subsídio de alimentação e um desconto de 10% nas lojas do Lidl para todos os trabalhadores, mas mais uma vez o Lidl apenas atende aos seus interesses, ignorando os dos trabalhadores».
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
