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Fenprof: sujeitar meio milhão de alunos a «provas inúteis»

O Governo já definiu as provas de avaliação e aferição a realizar no final de ano lectivo, representando uma enorme sobrecarga para os professores sem qualquer benefício para os alunos.

«Respeitar os docentes, melhorar as suas condições de trabalho e valorizar o seu estatuto de carreira», é o tema da petição entregue pelos professores
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No caso do 12.º ano, continuarão em vigor as «normas do ano anterior», acrescendo a informação divulgada ontem de que os exames se limitarão «às disciplinas específicas para acesso ao ensino superior». Até aqui, a Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN) não vê problemas, à excepção do enorme atraso na definição destas regras.

O que a Fenprof não esperava, explica em comunicado enviado ao AbrilAbril, «é que se mantivessem as provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos, assim como a prova final de 9.º ano, ainda que apenas com carácter de aferição». Depois de dois anos de pandemia, com grandes limitações ao normal funcionamento das escolas, importava agora «canalizar o esforço para o trabalho com os alunos, incluindo o de recuperação de défices».

«Para além disto, trata-se de mais uma sobrecarga de trabalho para os professores, chamados a corrigir milhares e milhares de provas»: São quase meio milhão de alunos a realizar provas que, no actual contexto, a que acresce haver mais de 30 mil alunos sem professores atribuídos em algumas cadeiras, serão completamente inúteis.

A justificação avançada pelo Governo, de que desta forma se conseguirá um retrato fidedigno da situação nas escolas portuguesas, peca por ignorar que, durante a pandemia, as desigualdades se acentuaram em consequência de muito de factores: «de natureza familiar, económica e social ou de outros, aleatórios, como os níveis e intensidade da situação epidemiológica verificados em cada comunidade».

Neste quadro, ninguém fará essa avaliação melhor do que os professores, aferindo a situação em cada escola, em cada turma e de cada um dos seus alunos. Estas provas, definidas pelo governo, põe em causa essa «avaliação individualizada e contextualizada, criando uma ideia falsa, porque global e uniformizadora, da situação», defende a Fenprof.

Certo é que, professores e estudantes, a escassos meses de acabar o ano lectivo, deixarão de se poder centrar naquilo que é absolutamente essencial: «as aprendizagens e a recuperação de laços de sociabilidade afectados pela pandemia».

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