PCP prepara autárquicas com «confiança»

Os comunistas realizaram um encontro nacional para preparar as eleições autárquicas, que terão lugar no Outono, na Aula Magna, em Lisboa. «Confiança» foi a palavra que marcou a intervenção de Jerónimo de Sousa.

O encontro nacional do PCP decorreu durante todo o dia de hoje, na Aula Magna da Universidade de Lisboa
O encontro nacional do PCP decorreu durante todo o dia de hoje, na Aula Magna da Universidade de LisboaCréditos

«Sim, temos razões para partir com confiança para estas eleições», afirmou o secretário-geral comunista no encerramento do encontro que juntou mais de duas mil pessoas na preparação do acto eleitoral agendado para 1 de Outubro.

Jerónimo de Sousa sublinhou a «natureza participativa, profundamente democrática, representativa, colegial e aberta à participação dos trabalhadores e das populações» do projecto autárquico da CDU (Coligação Democrática Unitária), pela qual o seu partido vai concorrer em aliança com «Os Verdes», a Associação Intervenção Democrática, que transmitiram saudações à iniciativa comunista, assim como milhares de cidadãos independentes.

O dirigente comunista traçou as linhas que, no entender da CDU, separam o projecto da CDU das restantes candidaturas. Depois de lembrar a contestação «contra o roubo das freguesias ao povo e pela exigência da sua devolução», enunciou algumas das matérias em que a posição do PCP diverge das intenções do governo do PS em termos de autonomia do Poder Local, como é o caso da actual lei das finanças locais, que os comunistas querem rever, das alterações nas áreas metropolitanas ou das transferências de competências para as autarquias.

«Descentralização e transferência de competências não são sinónimos. Competências sem meios, como temos afirmado, são novos encargos», alertou Jerónimo de Sousa. Os comunistas defendem estabilidade nas transferências financeiras para as autarquias e a concretização da regionalização, aliás, como está previsto na Constituição.

Mas o PCP quer aproveitar as eleições de Outubro para também reforçar a luta «nesta nova fase da vida política nacional». Sublinhando as matérias em que o governo do PS foi obrigado a ir além do seu próprio programa eleitoral, Jerónimo de Sousa assinalou as divergências que persistem em áreas como a legislação laboral, lembrando que o peso dos salários no rendimento nacional tem vindo a diminuir.

Usando os casos recentes que envolveram a banca como exemplo, o secretário-geral do PCP falou de um «governo incapaz de libertar o País de ruinosas imposições e afirmar a soberania». Os comunistas têm em curso uma campanha pela libertação de Portugal do euro, a renegociação da dívida, o controlo público da banca e a dinamização da produção nacional.

Vários presidentes de câmara comunistas intervieram no encontro, como foi o caso de Joaquim Judas (Almada), em defesa da gestão pública da água e do saneamento. Bernardino Soares, que recuperou a presidência do município de Loures para o PCP nas últimas eleições, salientou os contrastes com a gestão anterior do PS, nomeadamente pela recuperação financeira da autarquia e a participação e envolvimento das populações nas decisões.

Nas últimas eleições autárquicas, em Setembro de 2013, a CDU conquistou a presidência de 34 municípios e de 170 freguesias e uniões de freguesias, sendo a força política com mais maiorias nos executivos municipais da Área Metropolitana de Lisboa.