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Para que pede Costa «um PS forte»?

António Costa reitera querer «condições de governabilidade». O objectivo é que lhe seja confiada representação parlamentar para poder desenvolver o seu programa sem qualquer sujeição à esquerda.

CréditosMANUEL DE ALMEIDA / Agência LUSA

Perante a derradeira semana de campanha eleitoral, o secretário-geral e candidato do PS, António Costa, veio acenar aos eleitores o «fantasma» da instabilidade governativa dos partidos mais à esquerda, ou seja, BE, PCP e «Os Verdes».

Segundo o primeiro-ministro, entrevistado na RTP, «nenhum deles se comprometeu em assegurar condições de governabilidade durante os próximos quatro anos», e portanto será necessário «um PS forte», para serem asseguradas essas mesmas «condições de governabilidade».

Não é de agora que o PS coloca esta intenção, uma vez que, através de vários líderes, tem vindo a anunciar, o objectivo de governar de «mãos livres», sem quaisquer condicionamentos ou restrições, em particular pelos partidos à sua esquerda na Assembleia da República, utilizando tanto os exemplos de Espanha como de eventuais crises económicas.

O objectivo do PS será então o de retomar a governação para aplicar o seu programa sem quaisquer sujeições. De facto, as suas «mãos livres» permitiriam o retorno ao conforto da promoção de políticas, como já o fez no passado, que com a submissão à União Europeia, levaram à aprovação dos Pactos de Estabilidade e Crescimento (PEC), que se traduziram em cortes de salários e pensões e medidas de regressão social.

Recordam-se os governos do PS de José Socrátes que ficaram marcados pela regressão em direitos sociais, o aumento do desemprego e da precariedade, o encerramento de serviços públicos, em particular de escolas e serviços de saúde; e o agravamento do custo de vida, com os aumentos dos preços dos bens e serviços essenciais, como produtos alimentares, gás, electricidade, combustíveis, transportes, saúde, entre muitos outros.

Foi também por aquele governo que foi aplicada a chamada «reforma» da Segurança Social que com a alteração do cálculo das pensões implicou, de imediato, uma quebra de 16% nos valores das pensões mais baixas para os novos reformados. E ainda avançou com objectivos de introduzir a chamada «flexigurança», que visou fortes ataques aos direitos dos trabalhadores, com a facilitação dos despedimentos, a maior desregulamentação dos horários de trabalho, a destruição da contratação colectiva com a caducidade forçada e a eliminação do princípio do tratamento mais favorável para o trabalhador.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP e candidato pela CDU, já alertou, este domingo em Évora, para os verdadeiros objectivos do PS com esta narrativa. Segundo o dirigente comunista a intenção é regressar «à estabilidade da paz podre do pântano da bipolarização, do vira-o-disco-e-toca-o-mesmo, ou seja, da alternância sem alternativa, de PS e PSD, com ou sem CDS-PP». Nesse sentido, acrescenta, o PS pretende voltar à «estabilidade da política de direita que garante a estabilidade em cima, dos poderosos, para infernizar a vida dos trabalhadores e do povo».

O líder comunista acredita que o PS está a insinuar a necessidade de uma maioria absoluta. E chegou mesmo a questionar: «Faltou estabilidade nestes últimos quatro anos de avanços na vida dos trabalhadores e do povo? Não faltou!»

Também a coordenadora do BE, Catarina Martins, em declarações à imprensa, esta manhã, sublinhou que o seu partido contribuiu para «uma solução que foi estável durante quatro anos porque protegeu salários e pensões», designando de «fruta da época» eleitoral os pedidos do PS para assegurar «condições de governabilidade».

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