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Mais igualdade não é prioridade do PSD

Rui Rio, em entrevista esta quarta-feira à TVI, confirmou, uma vez mais, a indisponibilidade do seu partido em promover uma política com medidas de combate às desigualdades sociais.

Rui Rio
Rui RioCréditosJosé Coelho / Agência Lusa

Quando questionado sobre o conteúdo do Orçamento do Estado (OE) para 2021, o líder do PSD esclareceu ser contra a redução do valor das propinas, considerando que os actuais 697 euros são uma «meia dúzia de tostões». Para Rui Rio, a universalidade do acesso ao Ensino Superior não deve ser uma realidade, preferindo uma lógica caritativa do papel da Acção Social Escolar.

Rui Rio recorreu ainda ao argumento de que muitas das medidas em discussão que podem vir a responder à crise social e económica – mesmo que de forma limitada –, podem significar perigos «para o futuro», com mais endividamento do País.

Assim, o líder do PSD diz que, por esta razão, não é possível implementar «ao mesmo tempo» todas as medidas como sejam o aumento das pensões, mais creches gratuitas, o aumento subsídio desemprego, a redução IVA da electricidade, o pagamento a 100% dos salários em lay off, entre outras.

Numa entrevista em que Rui Rio teve dificuldades em fugir às suas próprias responsabilidades no abrir de porta a acordos com o Chega para ter acesso ao poder nos Açores, optou pelo tradicional discurso de ódio que promove a crítica aos mais pobres e aos seus direitos, naquilo a que designou de «subsídio-dependência».

Para o líder social-democrata, o pagamento do rendimento mínimo de inserção numa das zonas mais pobres do País, como é o caso da região dos Açores, deve ser combatido como um problema, sem propor quaisquer verdadeiras medidas de combate às desigualdades sociais.

Como outro ponto de convergência do PSD com o Chega, Rui Rio levantou o combate à corrupção. No entanto, ficou por explicar porque é que muitos dos protagonistas do seu partido – mas não só – , têm sido visados em diversas investigações judiciais que se debruçam sobre a promiscuidade entre poder político e interesses privados.

Também não ficou claro por que razão um dos eixos da sua proposta para a reforma da Justiça é o de impôr o controlo político do Ministério Público, atacando a sua autonomia constitucional, se o PSD diz pretender combater a corrupção.

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