Na Europa crescem os protestos contra as medidas anti-populares do projecto neoliberal que, lembre-se e sublinhe-se, se aprofundou político-ideologicamente no pós-queda do Muro e se intensificou após as crises da dívida pública que se agravam na Europa, comandada pelas burocracias instaladas na União Europeia sob a batuta de ursulas, costas, kallas, os mercenários actualmente destacados ao serviço por um capitalismo imperialista que é irreformável, vai escavando as agruras instaladas, com o aumento do custo de vida, a falência dos serviços sociais, destaque para a habitação, saúde, educação, ficando cada vez mais evidente a quem serve: os grandes grupos económicos com margens de lucro crescentes enquanto as desigualdades se aprofundam.
As evidências da degradação das condições de vida, do retrocesso social que se vive estoiraram em manifestações populares por toda a Europa, com uma fortíssima componente de jovens que têm as suas vidas precarizadas depois de terminarem os estudos, os que deles não foram obrigados a desistir, para enfrentarem um mercado de trabalho onde não há empregos disponíveis. O futuro de milhões de jovens está truncado, não tem horizonte, o que está bem expresso no relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Tendências Mundiais do Emprego Juvenil 2026: De volta ao futuro.
Depois de atingir seu nível mais baixo em mais de duas décadas em 2023, a taxa de desemprego juvenil entre 15 e 25 anos atingiu os 12,4% em 2025. Isso significa que 67 milhões de jovens procuravam activamente trabalho, mas não conseguiam encontrá-lo. Entre 2023 e 2025 o desemprego juvenil aumentou em oito das onze sub-regiões do mundo.
No entanto, a taxa de desemprego reflecte apenas uma parte da realidade, já que não inclui aqueles que deixaram de procurar trabalho. A categoria mais reveladora é a de NEET1 população jovem fora do mercado de trabalho de instituições educacionais. Em 2025, mais de 257 milhões de jovens – um em cada cinco – encontravam-se nessa situação, nove milhões a mais do que em 2023.
O nosso país apresenta uma percentagem muito elevada de jovens desocupados, 15%, representando uma parte muito significativa da população jovem portuguesa. Uma percentagem que coloca Portugal no quinto país da zona da UE com maior incidência NEET.
Por trás desse frio acrónimo escondem-se vidas suspensas. Um jovem termina seus estudos, procura trabalho durante meses, descobre que não há emprego disponível. Depois de abandonar a busca, retorna a um lar familiar muitas vezes superlotado e ameaçado, adiando o casamento, os filhos, qualquer possibilidade de uma vida independente.
O tempo passa, a vida fica suspensa, não avança. O peso recai de maneira marcadamente desigual segundo o género. Mais de dois terços dos jovens que não estudam nem trabalham são mulheres. A taxa das jovens que não estudam nem trabalham é de 27,4%, mais que o dobro da taxa de 13,1% entre os jovens homens.
Isso não se deve à falta de educação das mulheres, mas ao facto do trabalho não remunerado, a discriminação e a escassez de empregos decentes as excluirem da vida económica.
Um estado de sítio que se tem agravado até irromperem em manifestações, em que se destacam as da Europa, mas têm, nos últimos dois anos, sucedido por todo o mundo do Quénia ao Nepal, da Indonésia às Filipinas, de Madagáscar a Marrocos, do Peru ao México, em que os jovens se levantam e marcham. Ainda que os motivos motores que as desencadeiam sejam variáveis há uma base comum facilmente identificável.
«Mulher Chorando», Picasso, 1937, Tate Gallery, Londres
Há dinheiro para salvar a banca das falências, apoiar as grandes empresas de que o exemplo mais actual é o da Alphabet, a Microsoft, a Amazon, a Meta e a Oracle, as cinco maiores empresas tecnológicas dos EUA, que acumulam mais de 1,65 biliões de dólares em dívidas não declaradas nos balanços oficiais, impulsionadas pelos gastos massivos em infra-estruturas de inteligência artificial, um montante que cresceu oito vezes nos últimos quatro anos, que já está a ser negociado nos corredores da Casa Branca, depois de na praça pública Sam Altman, Dario Amodei, Elon Musk e o resto da malta dos tecno-ditadores terem vindo a público pedir um travão de emergência ao avanço da IA em nome da segurança global, um súbito e alvoraçado alarme ético, um gato escondido com o rabo de fora numa manobra de sobrevivência económica, explorando a docilidade habitual do Estado com o grande capital, como se assistiu na reunião que tiveram com Trump na Sala Oval, atapetando o caminho de transpor o peso dessas dívidas dos grandes cartéis monopolistas, afogados em sobre-investimentos sem rentabilidade comercial, para os Estados que os irão assumir não em duvidosas jogadas de bolsa, vendas fictícias e demais e trivial panóplia, mas na muito mais segura via de investimentos numa economia de guerra, pelo que, para tornar aceitáveis essas negociatas, estão a inocular medos na sociedade, enquanto nos corredores obscuros e alcatifados dos ministérios da Defesa, da NATO e de Bruxelas já tudo está decidido, os maravedis dos euros e dólares escorrem para os bolsos desses gigantes do tecno-silício; também nunca falta dinheiro para pagar a credores estrangeiros e imposições do FMI e BM, mas não para dar emprego aos jovens; há dinheiro para a polícia e outras forças repressivas, mas não para escolas, habitação, saúde; privatizam-se sectores estratégicos que corroem soberanias já frágeis, concedem-se benefícios fiscais à banca e grandes empresas. Os ricos estão cada vez mais ricos, ostentam essa riqueza em gastos sumptuários e luxos.
Os bilionários, pouco mais de 2500 pessoas, percentagem ínfima numa população mundial estimada em 2026 em 8 320 000 000 pessoas, enriqueceram, em média, 2 milhões de euros por dia, 730 000 000/ ano!!! Os dez mais ricos, por sua vez, enriqueceram em média 100 milhões de euros por dia, quase 4 200 000 por hora. Um português com o salário mínimo que estará em vigor em 2027, 970 euros/mês, teria que trabalhar 2060 meses, 172 anos para alcançar o que um bilionário enriquece num dia. São números chocantes da brutal desigualdade que aterrou no reino deste nosso mundo. Mais chocante quando o insuspeito Banco Mundial refere que 44% da população mundial vive (?) com menos de 6,85 dólares por dia, enquanto os 10% mais ricos detêm 45% de toda a riqueza do mundo. Numa sociedade assim dividida que democracia que liberdades são possíveis?
Por cá, país periférico, somos um reflexo do que é radiografado no mundo. Há que interrogar qual liberdade, qual democracia é que pode ser vivida pelos 23% dos trabalhadores que ganham o salário mínimo, 20% com contratos precários, em que chegar ao fim do mês é uma dificuldade muitas vezes insuperável quando comparadas com a liberdade e a democracia em que nadam os amorins, soares dos santos, azevedos, mellos, pestanas, que acumulam 15% da riqueza nacional? São duas realidades abismalmente diferentes que uma democracia formal disfarça, em que as eleições são um ritual de uma democracia que só é boa quando serve os interesses dominantes. Em que a justiça é a injustiça do direito do mais forte à liberdade! Tudo irá ser pior com o OE 2027, de aprovação garantida com a abstenção do PS para Chega e IL florirem os seus verdadeiros objectivos, em que as verbas para a saúde são reduzidas em relação ao ano anterior, com a agravante de uma parte substancial, quase 50% serem desviadas para os privados, a Educação com um aumento de 1,5% em relação ao de 2026 que é inferior à inflação prevista 2,3%. Reforçada é a da Defesa, certamente para defender as Berlengas dos russos e o Mário Viegas continuar aí a reinar com sobressaltos contados pelo seu cronista Artur Semedo.
«Por cá, país periférico, somos um reflexo do que é radiografado no mundo. Há que interrogar qual liberdade, qual democracia é que pode ser vivida pelos 23% dos trabalhadores que ganham o salário mínimo, 20% com contratos precários, em que chegar ao fim do mês é uma dificuldade muitas vezes insuperável quando comparadas com a liberdade e a democracia em que nadam os amorins, soares dos santos, azevedos, mellos, pestanas, que acumulam 15% da riqueza nacional?»
OE indiferente ao estado da habitação em que o investimento público, central e municipal em alojamentos acessíveis e sem fins lucrativos é de 1%, o mais baixo de toda a UE e resto Europa que, apesar da crise generalizada, tem taxas muitíssimo superiores, Países Baixos no topo com 34%, sabendo-se de ciência certa que as crises habitacionais só são minoradas ou tendem a ser resolvidas com recursos públicos. Situação ainda mais agravada com um crescimento dos valores de venda e arrendamento de apartamentos que entre 2015 e 2025 subiu 165%, em 2016 na ordem dos 19%, que tudo será pior com a nova lei do arrendamento do governo AD, apoiada pelo Chega e IL. Isto enquanto o custo de vida é cada vez mais insuportável como se pode aferir pelo cabaz alimentar que tem cada vez menos dias úteis em cada mês o que se torna mais chocante e dificilmente aceitável quando os lucros da banca e das grandes empresas são exponenciais, com benefícios fiscais negados ao cidadão comum, ainda que IRS tenha pequeníssimas reduções embrulhadas em papel de estanho a imitar prata.
São as políticas do governo AD, que vão caminhando com várias complacências do PS, e os apoios da IL e Chega, que hipocritamente por vezes o criticam para travestirem a realidade da sua sofreguidão em empunharem as moto-serras que, por enquanto, ainda guardam nos armários.
O agravamento deste estado de sítio que os jovens enfrentam desencadeou a onda de manifestações que a comunicação e as redes sociais, na sua esmagadora maioria ao serviço das oligarquias, tem mostrado com a parcialidade com que se constroem verdades com verdades, meias-verdades e até mentiras. O objectivo óbvio é manipular a opinião pública para que se desvalorizem ou mesmo condenem essas manifestações, por mais difícil que seja atirar para debaixo do tapete o que justamente as motiva.
Colapso dos serviços sociais, crise na habitação, aumento do custo de vida, baixos salários, pobreza e fome são algumas das tragédias que o consenso neoliberal tem proporcionado aos povos a troco de uma qualquer estabilidade nos mercados, como se os mercados fossem independentes e autónomos. Em contraste com a degradação das condições de vida dos trabalhadores, aposentados e reformados, os grandes grupos económicos continuam a aumentar as suas margens de lucro, os accionistas multiplicam os dividendos e a desigualdade aumenta vertiginosamente. Eis que, por todos esses motivos, a luta intensifica-se na Europa com presença relevante e bem visível da juventude, Portugal não está a ficar atrás.
«Tudo irá ser pior com o OE 2027, de aprovação garantida com a abstenção do PS para Chega e IL florirem os seus verdadeiros objectivos»
Na esteira contumaz de os princípios da realidade ideológica negarem os princípios da realidade material, atamanca-se um argumentário em que a juventude é rápida e intencionalmente agrupada na designação genérica de Geração Z2, um truque do pensamento dominante e os seus arautos numa comunicação e redes sociais controladas maioritariamente pelas oligarquias. Geração Z que descreve os jovens manifestantes como se fossem um segmento de mercado que bem desejavam tivessem por modelo o protagonista dos Bonbons e Bonbons 67 de Jacques Brel que enfim, tem opiniões mundanas à bolina dos ventos da história para que a história fique o mais imóvel possível a caminho das ficções do seu fim. São momentos em sucessão da ideologia burguesa de sempre, em que erraticamente não há direita nem esquerda pelo que tudo se pode politizar com a condição de se despolitizarem. Em que o fim da linha pode rimar com Maio 68, que foi a festa que ocupou as ruas, os grafitis, as discussões sem fim, as barricadas, as ocupações selvagens, a poética das palavras de ordem, «a revolução sem finalidade, sem programa, sem vítimas nem traidores, sem enquadramento político» (Giles Lipovetsky).
Maio 68, que revelou com grande clareza um mundo tornado demasiado ligeiro, demasiado absurdo ficou num limbo até voltar a estoirar com grande estrondo. Geração Z onde se agrupam jovens manifestantes, cujo futuro está frustrado. Jovens que dominam as redes digitais demonstrando a sua desilusão e impaciência com as instituições políticas estabelecidas, sem um projecto organizado sujeito às derrapagens de um novo movimento de emancipação centrado na espontaneidade das massas pronto a superar os fracassos da política especializada, com formas de acção contra a política que parecem e nalguns itens são novas mas que acabam por se repetir em novos moldes. Que revivem, com ferramentas actualizadas sobretudo pelos avanços informáticos, as heranças de Proudhon, para quem «todas as revoluções se cumpriram pela espontaneidade do povo», o que Marx desmontou cabalmente na Misère de la Philosophie3.
Uma crença na espontaneidade das massas que, sobretudo depois das experiências da Comuna de Paris, mesmo Kropotkine elogiando «esse admirável espírito de organização espontânea que o povo possui em tão alto grau» considera não ser por si só suficiente para fazer eficazmente uma revolução. Uma confiança desmentida pelas várias experiências históricas a que Lenine recorre para em Que Fazer?4 combater as ilusões originadas por essa convicção sem deixar de considerar a importância das acções espontâneas.
Mas isso oculta mais do que revela sobre a política de nossos tempos em que desde o Manifesto Comunista5 de Marx e Engels o capital apavorado instituiu uma guerra aberta, feroz, áspera contra os partidos e as organizações de classe, no que, reconheça-se, obteve substanciais êxitos.
Uma geração não é uma classe social; os jovens não compartilham uma experiência socioeconómica comum. As chamadas revoltas da Geração Z não são um projecto organizado, cada uma tem a sua história, os seus objectivos ainda que haja similitudes. Essa raiva justa e espontânea tanto pode derivar e contribuir para uma via de reconstrução socialista como pode ser cooptada pelo cinismo, pelo chauvinismo e pela extrema-direita, apesar de, como se ouviu na AR em Portugal, a IL, puxando lustro à classe que ostenta na lapela e por escaparem aos seus chavões, os condenar sem uma ruga de dúvida e o Chega perder a cabeça exigindo que «os encostem à parede», o que explica o seu desvelo pelos três salazares, porque o dos safanões a tempo, apesar dos safanões serem muitas vezes assassinos, nunca tinha tido a coragem da camarilha ventura de fazer apelo claro a pelotões de fuzilamento.
A questão crucial é saber se organizações sólidas podem transformar as solidões da Geração Z numa nova camaradagem da luta, numa luta de classes porque é disso que se trata mesmo que não seja claramente perceptível ou nomeado.
Enquanto as manifestações se sucedem as reportagens e as imagens que são transmitidas seleccionam e dão maior relevo às violências gratuitas, obviamente condenáveis, de grupos que aparecem sempre convenientemente para de forma objectiva servirem os propósitos dos poderes dominantes passadistas, perseguindo sempre o efeito de subverterem as causas revolucionárias para as reduzir a revoltas inconsequentes. Não perdemos a memória dos ultra-revolucionários do pós 25 de Abril, todos também sabemos onde hoje politicamente a maioria se situa, como sabemos em França por anda a esmagadora generalidade dos revolucionários dirigentes do Maio 68.
A sucessão de imagens das acções de destruição e pilhagens são atribuídas a grupos ditos anarquistas violentos mas nunca referem as mais que possíveis e prováveis infiltrações de forças policiais e de fascistas com um histórico investigado e documentado, embora com parcimónia e nunca rapando o fundo do tacho, nas Brigadas Vermelhas em Itália, no Grupo Baader-Meinhof na Alemanha, na Operação Condor no continente Americano. O que nunca é referido é a violência que esta sociedade exerce diariamente sobre o povo trabalhador, violências que até se apresentam indolores mas que sempre necessário assumem as formas mais bestiais.
«Colapso dos serviços sociais, crise na habitação, aumento do custo de vida, baixos salários, pobreza e fome são algumas das tragédias que o consenso neoliberal tem proporcionado aos povos a troco de uma qualquer estabilidade nos mercados, como se os mercados fossem independentes e autónomos.»
O surto contestatário está longe de se esgotar correndo todos os riscos de um esquerdismo que tem um primeiro momento generoso e entusiástico para empalidecer tropeçando nas impossibilidades que atiram para os becos de uma educação sentimental em que se despolitiza por não se integrar nas frentes mais amplas e resilientes das lutas de classe onde, mesmo as negando com repetidas afirmações em que nas assembleias populares se demarcam da direita e esquerda, acabam por estar inseridos. Esse é também um tremendo desafio para que o vigor, a generosidade de toda essa juventude se encontre com a das classes trabalhadoras e demais vítimas do sistema que os populistas demagogos também culpam para mascarar a sua dependência do sistema e para que as vítimas desse sistema votem contra si próprias, acreditando nesses parlapatões que são os párias da democracia.
A face mais visível desses parentéticos alcoviteiros intrujas é o gauleiter do Chega, que por tudo e por nada brande a bandeira da corrupção, escondendo que por baixo da corrupção está acoitada uma ordem social que impede o futuro. Encabeça a tropa fandanga dos mais corruptos que estão como sempre estiveram na primeira linha da denúncia da corrupção como Norberto Bobbio denuncia: «o fascista fala todo o tempo em corrupção. Fez isso em Itália em 1922, na Alemanha em 1933, e no Brasil em 1964. Ele insulta e agride como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso comum ou um sociopata que faz carreira na política (...) no poder essa direita não hesita em torturar, estuprar, roubar a sua carteira, sua liberdade, seus direitos. Mais que do que a corrupção, o fascista pratica a maldade».
A denúncia é difícil quando a esquerda, as esquerdas só residualmente se fazem ouvir na comunicação e nas redes sociais em que as oligarquias investem sem se preocuparem com os prejuízos contabilísticos que acumulam, em que mesmo o chamado serviço público está contaminado pelos vírus das direitas que obstinada e perseverantemente manipulam a opinião pública para que o sistema prossiga impunemente e os sucessos que o colocam em causa sejam desacreditados, que é o que assiste quando as lutas invadem as ruas.
Vive-se noite bem escura, felizmente há luar, porque todos sabemos que o lado esquerdo da vida vale a pena!!!
- 1
Na sigla em inglês «NEET», expressão de «not in education, employment, or training», algo como «fora da educação, emprego e formação profissional». Esta é uma classificação usada originalmente no Reino Unido, passou a ser utilizada em outros países e nos relatórios da OIT. As faixas etárias dos jovens que não estudam nem trabalham, encontrando-se totalmente desenquadrados dos sistemas de educação, formação, estágio e trabalho existentes, são variáveis, normalmente têm os dezoito anos como ponto de arranque podendo ir até aos trinta e cinco anos.
- 2
(Geração Z, classificação genérica em que se agrupa actualmente os jovens, é um processo normalizado da ideologia burguesa que assim procura separar artificialmente a juventude de ligações com a luta de classes, armazenando-a vulgarmente entre uma ou duas décadas, caracterizando-as pelo que é mais relevante nessa época, sobretudo procurando limitá-las a conflitos geracionais. A Geração Z, antecedida pela Geração X, por sua vez antecedida pela Geração Y, é associada principalmente à crescente importância da IA, ao uso generalizado das redes sociais e dos smartphones nas comunicações, à uberização do trabalho. O que é típico da sociologia burguesa é que com estes bordados da realidade procura perpetuar o pensamento dominante, controlar o mau estar civilizacional e as contradições internas do capitalismo neoliberal enquadrando a realidade em espontaneísmos gropusculares de activismos anti-sistema, o que tende para uma antropologia neo-fascista, em que as oligarquias procuram dominar as massas.
- 3
Marx, Karl, Misère de la Philosophie / Proudhon, Philosophie de la Misère, Union Générale d' Éditions, Le Monde en 10/18, 1964
- 4
Lenine, Que fazer?, Editorial Avante, 1984
- 5
Marx, Karl/ Engels, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista, Editorial Avante, 1997
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