Contrariando afirmações do próprio, de que não iria sair do território brasileiro e que entregaria o seu passaporte às autoridades, Flávio Bolsonaro repete o que já parece uma tradição de família: fugir para os EUA.
A determinação do Supremo Tribunal Federal, emitida pelo Ministro Alexandre de Moraes, não se deveu à derrota nas urnas, este domingo, mas decorreu das investigações em curso, nas quais Flávio é citado. O ex-candidato é suspeito nos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no caso do roubo do INSS (Segurança Social) e no financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do seu pai.
Os sinais da fuga ficaram mais claros na noite de sexta-feira, 23 de Outubro, quando o seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro expôs num podcast americano que, na eventualidade de uma derrota, Flávio iria para os EUA. Eduardo, por sua vez, é foragido da justiça brasileira desde 2025, quando foi acusado, e agora condenado, de recorrer a governos estrangeiros para pressionar a Justiça do Brasil em favor de seu pai, no decorrer do processo que julgava Jair Bolsonaro pelo crime de golpe de Estado. No início deste mês, Eduardo teve um mandato de prisão expedido em seu nome, uma sentença de quatro anos e dois meses que não está a cumprir, pois está foragido a viver no Texas.
Esta será a primeira vez em 24 anos que Flávio Bolsonaro não terá um mandato público e, consequentemente, um foro privilegiado que o beneficie judicialmente. Caso tivesse vencido o pleito, além do foro, Flávio também teria «imunidade temporária», já que presidentes do Brasil «não podem ser processados criminalmente por factos anteriores ao mandato e que não tenham relação com o cargo», explica o ICL Notícias.
A fuga
Ao longo de todo o dia de ontem, Flávio foi procurado. A imprensa esteve em sua casa, falou com pessoas próximas dele e com dirigentes do partido (PL), sem nunca obter informação de onde estava o senador, que deveria ter entregue o seu passaporte até às 11h da manhã desta terça-feira. Após o incumprimento da ordem, a Polícia Federal procedeu ao cancelamento do documento.
«Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula», relatava um aliado internacional de Flávio, o ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, nas suas redes sociais.
Acontece que Levy mentia e desviava a atenção enquanto Flávio e a família fugiam do Brasil através da fronteira com a Argentina, com documentação válida, segundo a Direcção Nacional de Migrações Argentinas – a apresentação de passaporte não é necessária para o trânsito entre países do Mercosul. Assim, a partir do aeroporto de Puerto Iguazú, à família embarcou num voo particular às 23h30, horário local, com destino a Guayaquil, no Equador, de acordo com o plano de voo.
A aeronave, que teve a descolagem acompanhada em directo pelo jornal argentino Canal C5N, é operada pela Baires Fly S.A que também já transportou o presidente argentino Javier Milei. Na manhã desta quarta-feira, a aeronave que transporta Flávio e sua família, com a matrícula LV-JQW, já descolou de Guayaquil e segue para Miami, como apontam os radares de voo. Como Flávio não poderá apresentar o seu passaporte no desembarque, o governo de Donald Trump irá providenciar vistos para ele e sua família, avançou fonte do Departamento de Estado americano à Associated Press.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui