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Era «desmando» e «trapalhice», agora até assinam por baixo

O PSD e o CDS-PP apresentaram uma proposta de alteração ao Orçamento que há um ano caracterizavam com palavras como «desmando» e «trapalhice». Na altura, abstiveram-se.

O deputado do PSD, Adão Silva, intervém na Assembleia da República, em Lisboa. 29 de Outubro de 2018
O deputado do PSD, Adão Silva, intervém na Assembleia da República, em Lisboa. 29 de Outubro de 2018CréditosMário Cruz / Agência LUSA

Os dois partidos replicam o mesmo texto que acabou por ser aprovado e que consta no Orçamento do Estado para 2018 nas suas propostas relativas à contagem do tempo de serviço. Mas, há um ano, a caracterização que Adão Silva (PSD) e Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP) faziam da norma era muito diferente.

A discussão no plenário foi feita na manhã 22 de Novembro, o primeiro dia de votações na especialidade. Nenhum dos dois revelou como os seus partidos viriam a votar a proposta durante a tarde – seria abstenção. Aliás, o exercício retórico que lhes coube era muito exigente: criticar sem dizer que se estava contra.

Afinal, tratava-se da contagem do tempo de serviço para um conjunto de carreiras da Administração Pública no âmbito do descongelamento das progressões. E tanto o PSD como o CDS-PP tinham e têm pesadas responsabilidades no processo: quando não foram responsáveis directos pelo congelamento, foram cúmplices, como em 2010, quando votaram a favor.

Mas as palavras que usaram para caracterizarem o processo que agora defendem, de tal forma que até repetem cada palavra do artigo em causa, foram duras. Adão Silva dizia que «não se pode aceitar esta imoralidade, sobretudo de querer que sejam os governos do futuro a pagar os desmandos do presente». O actual vice-presidente da bancada do PSD, na sua intervenção, falava em «demagogia e populismo», em «irresponsabilidade» e num «Governo a saque».

Anacoreta Correia, pelo seu lado, acusou a medida de «prejudicar os portugueses» e de pretender satisfazer «promessas vãs». As mesmas promessas que hoje o CDS-PP assume como proposta sua e a que há um ano chamava «trapalhice».

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