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Ecrãs não equivalem a aulas presenciais

Um em cada três professores diz que as sessões síncronas têm a mesma duração das aulas presenciais, segundo um inquérito dinamizado pela Fenprof.

Créditos / brasil.elpais.com

Mais de quatro mil professores, desde o pré-escolar ao secundário, responderam a um inquérito da Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) sobre as condições em que decorre o ensino à distância.

«Trinta e quatro por cento dos docentes, ou seja, um terço do total, afirmam que as sessões síncronas são de duração igual às aulas presenciais, o que é completamente desajustado, contrariando as recomendações divulgadas», sublinha a Fenprof.

Vários especialistas têm alertado para o facto de que o tempo de atenção dos alunos é muito inferior quando estão a ter aulas online, sendo que a capacidade de concentração vai aumentando com a idade.

Olhando para o horário de aulas dos alunos, que foi desenhado para o ensino presencial, metade dos docentes dizem que pelo menos metade das aulas é síncrona. Ou seja, na maior parte do dia estão em aulas online, sendo menos expressivo o tempo dedicado ao trabalho autónomo.

Antes do arranque do ensino à distância, que começou há uma semana, o Ministério da Educação enviou uma nota para as escolas pedindo «equilíbrio» entre o número de horas de aulas online e assíncronas.

Na semana passada, alguns directores alertaram para o facto de existirem escolas em que os alunos mantinham o mesmo horário que tinha sido decalcado do tempo do ensino presencial.

Ensino presencial é incontornável para muitos

Há ainda um grupo de professores – um em cada quatro dos que responderam ao inquérito – que diz continuar a ir diariamente para as escolas dar aulas.

Alguns destes docentes têm alunos nos estabelecimentos de ensino: uns são crianças com necessidades educativas, outros são alunos sinalizados pelas comissões de protecção de menores ou então crianças que em casa não têm condições para ter aulas.

O modelo de ensino dos alunos que continuam a ir à escola é semelhante ao dos seus colegas que estão em casa: assistem às mesmas lições através de um computador e, na sala de aula, têm um professor que pode dar apoio, tal como os seus colegas deverão ter um encarregado de educação em casa para os ajudar.


Com agência Lusa

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