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De mãos dadas andam eles

Sopram ventos fortes dizendo que azedou a relação entre PS e PSD, o que poderá condicionar entendimentos futuros. Mas a realidade da sua acção política comprova que há muito que os une.

CréditosMÁRIO CRUZ / Agência LUSA

A recente entrevista do primeiro-ministro, António Costa e respectiva reacção de Rui Rio, servida de bandeja como se fosse um jogo de ping-pong, gerou as habituais análises e apreciações dos «comentaristas».

Diz-se que podem estar em causa entendimentos futuros no que toca a «reformas estruturais». A ver se não estão é a soprar ventos de poeira para os olhos das populações, já que são muitas as ocasiões em que PS e PSD se juntam.

Basta olhar para alguns exemplos recentes para perceber que nunca faltam (e não se prevê que venham a faltar) os acordos entre PS e PSD na limitação da soberania nacional, ou ainda para impedir a consagração de mais direitos para os trabalhadores.

Isso verificou-se, ao longo das últimas décadas, em opções políticas e estratégicas que pesaram sobre o desenvolvimento do País, designadamente quando defendem os condicionalismos que a União Europeia impõe e que limitam a economia e o progresso social. É recordar os Pactos de Estabilidade e Crescimento, o Memorando de Entidimento da Troika, ou o recente acordo laboral, instrumentos que tiveram sempre assinatura «por baixo» de PS e PSD.

Já em 2021, ambos os partidos chumbaram propostas como a da nacionalização da Groundforce para a defesa dos seus trabalhadores; o fim de esquemas fiscais e a proibição da alienação das barragens da EDP; o fim dos cortes nas indemnizações por despedimento; a classificação das vacinas contra a Covid-19 como bem público; ou ainda a afirmação da soberania nacional na mobilização dos recursos necessários para responder aos  impactos da pandemia; só para nomear alguns exemplos.

Aliás, essa concordância entre PSD e PS verificar-se-á na aprovação das alterações às leis orgânicas de Defesa Nacional e da Organização das Forças Armadas, com ambos os partidos a prepararem-se para alterar a estrutura  superior da instituição militar. Trata-se, no essencial, de um processo de centralização do poder num único chefe (CEMGFA), no âmbito da padronização das Forças Armadas portuguesas com as de outros países, contribuindo para o quadro do aprofundamento do processo federalista e de militarização da União Europeia. 

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