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Covid-19 aumentou fosso das desigualdades sociais

O Barómetro Covid-19 da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) confirma que o surto epidémico não atinge todos por igual e que os mais afectados têm menos recursos financeiros e menos escolaridade.

«Os últimos dados do Barómetro Covid-19 mostraram como a pandemia não afecta todos por igual. Agora as respostas dos portugueses ao Opinião Social vêm demonstrar como a Covid-19 está a contribuir para aumentar o fosso das desigualdades», realçou em comunicado a ENSP, especificando que as respostas foram recolhidas entre os dias 21 de Março e 17 de Abril.

Segundo o estudo, as pessoas que ganham menos de 650 euros mensais reportam até quatro vezes mais dificuldade em adquirir máscaras por estas serem caras, e as pessoas com menor escolaridade são as que mais referem não saber, ou não se terem informado sobre como utilizar as máscaras protectoras.

Simultaneamente, «é este o grupo que mais precisa de sair para exercer a sua actividade profissional», realçou a ENSP, da Universidade Nova de Lisboa.

Segundo a coordenadora científica deste estudo, os resultados «são ainda mais inquietantes» quando se observa que quem tem de se deslocar para o local de trabalho tem maior exposição ao risco de contrair a doença.

Da amostra de inquiridos cujo rendimento mensal é inferior a 650 euros, dois em cada três referem tê-lo perdido durante a crise sanitária, e um em cada dois jovens com idade entre os 16 e os 25 anos reporta ter perdido rendimento, bem como metade dos que têm até ao 9.º ano de escolaridade.

Por isso, a entidade destacou que «a crise da Covid-19 está a afectar desproporcionadamente os mais vulneráveis», não só financeiramente, mas também em termos de baixa escolaridade.

«Os dados mostram-nos que são as pessoas menos escolarizadas que poderão estar mais expostas: 76% das pessoas até ao 9.º ano de escolaridade tem de ir para o local de trabalho, enquanto esta proporção desce para 26% nas pessoas com Ensino Superior», salientou Sónia Dias.

Segundo o barómetro, a nível nacional, é no Algarve que se verifica a maior proporção de pessoas que perderam rendimentos (57%), e de pessoas que suspenderam a actividade profissional (30%).


Com agência Lusa

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