Na declaração final, os mais de 300 delegados exigiram a Washington que ponha fim ao cerco económico, comercial e financeiro, agora «com a nefasta e assassina ocorrência de um bloqueio petrolífero».
Denunciaram a recente ordem executiva firmada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, por atentar contra a soberania e a autodeterminação com pressões e ameaças de sanções económicas a terceiros países que mantenham laços comerciais e financeiros com o país caribenho.
Além disso, repudiaram o processo do Departamento da Justiça dos EUA contra Raúl Castro, que «devotou a sua vida a favor do povo cubano», e apelaram à realização de uma jornada nacional de apoio ao líder cubano no próximo dia 3 de Junho, data do seu aniversário.
Neste sentido, exortaram o movimento solidário com a maior ilha das Antilhas em todo o mundo a unir-se a esta iniciativa e «que fique claro que estamos com Raúl, com Cuba e com a sua Revolução».
No entender dos participantes, a ofensiva judicial faz parte de uma estratégia de perseguição, intimidação e manipulação histórica visando criminalizar a defesa da soberania cubana, com recurso à invenção de expedientes com fins políticos, e legitimar agressões contra a Revolução.
«Cuba resiste porque o seu povo defende uma história de dignidade. Cuba resiste porque a sua Revolução mostrou que é possível pôr a saúde, a educação, a cultura, a ciência, o desporto e a vida acima do lucro», declararam, citados pela Prensa Latina.
Além de apoiarem a posição da presidente Claudia Sheinbaum a favor da soberania e autodeterminação da Ilha, os delegados ao encontro organizado este fim-de-semana pelo Movimento Mexicano de Solidariedade com Cuba exigiram ainda a Washington que retire a Ilha da «imoral e injusta» lista unilateral de países que alegadamente patrocinam o terrorismo, e reclamaram à administração de Trump que devolva a Cuba o território ilegalmente ocupado em Guantánamo.
Houve ainda tempo para homenagear os 32 combatentes internacionalistas da Ilha caídos em defesa da soberania da Venezuela, bem como para agradecer o trabalho dos mais de 3000 médicos cubanos de diferentes especialidades em vários estados do México, ajudando o povo em regiões onde existem «maiores carências económicas e necessidades».
Nos dois dias do evento, os participantes abordaram igualmente o legado do líder histórico da Revolução, Fidel Castro, bem como a guerra mediática e digital lançada contra o país caribenho.
Cuba jamais será um país subjugado
No encerramento do encontro, o embaixador cubano no México, Eugenio Martínez, destacou as dificuldades que a população está a sentir por causa das medidas coercivas impostas por Washington.
«Perseguem os barcos, perseguem os países, perseguem as seguradoras dos barcos […], perseguem terceiros países, ameaçam empresas que estão a fazer negócios legítimos com Cuba», afirmou Martínez perante os delegados.
Acrescentou que a administração norte-americana está a tentar impor à Ilha um modelo que esta não aceitará. «Podemos melhorar [o modelo], mas nunca entregá-lo. Jamais seremos um país subjugado», frisou, alertando que os EUA pretendem eliminar conceitos «como a soberania, a livre autodeterminação dos povos», enquanto procuram apropriar-se dos recursos da região.
O diplomata agradeceu ainda aos presentes no encontro os donativos materiais enviados para o seu país, que – defendeu - eram necessários e chegaram à população.
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