Num comunicado emitido este domingo, a que a Wafa faz referência, a SPP afirma que dezenas de visitas de advogados efectuadas em Abril e Maio revelaram «níveis chocantes de sofrimento e colapso da saúde» no interior das prisões, alertando para uma «catástrofe sanitária deliberada e crescente».
O organismo denuncia que as prisões israelitas se transformaram em «ambientes infectados onde as doenças e as epidemias são usadas como ferramentas sistemáticas de tortura contra os reclusos», referindo que celas sobrelotadas com cerca de oito detidos contêm frequentemente «pelo menos três reclusos infectados com sarna».
De acordo com o texto, as cadeias de Ofer, Megido, Neguev e Ganot são os locais onde se verifica o maior alastramento da doença. No caso de Megido, foi reportado que os presos sofrem de dores intensas e sintomas de saúde perigosos «sem qualquer acompanhamento médico adequado».
Alguns dos reclusos foram reinfectados devido às duras condições de detenção, enquanto outros sofrem de sarna há mais de cinco meses «sem tratamento eficaz», alerta a organização.
O texto refere-se também à propagação de furúnculos, úlceras e infecções graves entre os reclusos, acrescentando que muitos são privados de sono devido à comichão intensa e à dor constante. O estado de saúde de alguns presos deteriorou-se a tal ponto que já não se conseguem movimentar normalmente.
O comunicado acrescenta que o sofrimento psicológico no interior das cadeias atingiu «níveis sem precedentes», com alguns reclusos a afirmarem que o seu único desejo é «recuperar da doença».
A SPP atribui o surto à sobrelotação, à falta de higiene, à fraca ventilação, à privação de luz solar e à escassez de roupa e de mantimentos básicos. Alguns presos – denuncia – são «obrigados a usar roupa molhada» devido às condições no interior das cadeias.
A declaração revela ainda que as autoridades prisionais israelitas cancelaram recentemente várias visitas legais a reclusos infectados com sarna, classificando a medida como uma tentativa de «ocultar a dimensão do desastre sanitário» dentro dos centros de detenção.
A organização acusa o sistema prisional israelita de utilizar a doença e a negligência médica como política de «morte lenta» contra prisioneiros palestinianos, referindo que, desde o início da guerra de agressão a Gaza, 89 prisioneiros e detidos palestinianos – apenas aqueles cujas identidades foram confirmadas – morreram sob custódia israelita.
As doenças, particularmente a sarna, foram identificadas como uma das principais causas de morte dentro das prisões.
Neste contexto, a SPP apelou à Organização Mundial da Saúde e a instituições internacionais para que intervenham com urgência face aos «crimes médicos» cometidos contra os prisioneiros e para que responsabilizem Israel pelas políticas que «transformaram as prisões em centros de epidemias, tortura e morte lenta».
Tópico: Palestina / Etiquetas: prisões, presos, Israel, ocupação, cuidados de saúde, tortura, direitos humanos
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