A decisão de realizar a concentração e a marcha lenta de tractores, no dia 23 deste mês, foi tomada no seguimento de uma reunião convocada pela Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne (APPLC) e pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que teve lugar em Válega, Ovar, no dia 29 de Julho, e onde marcaram presença, entre outros, os produtores de leite da região de Aveiro.
Em nota divulgada após a reunião, estes produtores fazem várias propostas e recomendações para o sector, reivindicando a criação de condições, por parte do Ministério da Agricultura e dos compradores, para que seja garantido um escoamento a melhores preços da produção de leite e carne, mais ajudas à produção e a retoma de um sistema público de controlo da mesma.
Sobre a primeira reivindicação, afirma-se na nota que «os produtores de leite pagam, e muito, para trabalhar e para produzir». O preço médio do litro de leite é de 26 cêntimos, e muitos produtores vendem-no abaixo desse preço; em média, esse mesmo litro custa 35 cêntimos a produzir.
Quanto às ajudas, os produtores propõem que se continue a isentar a lavoura da taxa de «contribuição do audiovisual», que custa, por mês, 2,85 euros mais IVA; a retoma do regime da «Electricidade Verde», que reembolsa o custo da energia eléctrica às pequenas e médias explorações agropecuárias; o fim das penalizações aos produtores de leite que ultrapassem as quantidades impostas pelo contrato com o comprador. Recusam ainda o aumento das taxas para a recolha dos animais mortos.
Por fim, os produtores de Aveiro dão o exemplo das quotas leiteiras e referem que o seu fim, em Março de 2015, «veio agudizar a “crise” que se abate sobre a produção e os produtores nacionais de leite, “crise” que também alastra a sectores da agro-indústria nacional». Refere-se ainda o pacote de ajudas públicas para o sector leiteiro, anunciado pelo Conselho Agrícola da UE e pela Comissão Europeia, «em que pelo menos uma parte se destina a “apoiar” a redução das produções de leite de cada agricultor e a produção do País». Os produtores, juntamente com a APPLC e a CNA, «reclamam que o Ministério da Agricultura e a UE atribuam essas ajudas, rápida e directamente, aos produtores», considerando ainda «um erro estratégico centrar a iniciativa governamental em ajudas para reduzir a produção nacional de leite».
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