É em parte simbólico, mas o protesto levado a cabo pelos principais tenistas do mundo não deixa de requerer atenção. A relação entre os jogadores e os organizadores dos Grand Slams (os principais torneios da modalidade) está a revelar-se conturbada, com os jogadores a boicotarem o contacto com a imprensa no Roland Garros, o torneio realizado em França.
A razão prende-se, em parte, com os pagamentos, mas não só. Actualmente, o Roland Garros destina cerca de 15% da sua receita aos prémios monetários, porém, os tenista exigem mais, uma vez que entendem que são eles os responsáveis pelo aumento de receita que está a ser acumulada pela organização. Desta feita, os jogadores, liderados por um grupo do top-20, já se tinham reunido com os Grand Slams no ano passado e tiveram outras conversas desde então, e na ausência de mudanças significativas coordenam um boicote à imprensa, limitando as entrevista realizadas ao longo do torneio a apenas 15 minutos de duração, diminuindo a sua exposição.
Entre os jogadores que consideram que uma parte maior das receitas geradas pelos torneios do Grand Slam deveria ser destinada aos prémios monetários estão Aryna Sabalenka, actual número 1 do mundo; Coco Gauff, campeã em título; Jannik Sinner actual número 1 masculino; e Iga Swiatek tetracampeã do Roland Garros.
«Sem nós, não haveria torneio nem esse espetáculo», disse Sabalenka aos jornalistas. «Acho que, a dada altura, vamos boicotá-lo. Sinto que essa vai ser a única forma de lutar pelos nossos direitos», vincou no início do mês de Maio, antes do arranque do torneio.
Ainda antes destas declarações, já um vasto grupo de jogadores, principalmente do top-10, tinha assinado uma carta na qual se lia que «a parte dos jogadores nas receitas do torneio de Roland Garros diminuiu de 15,5% em 2024 para 14,9% previstos em 2026». Em vez disso, os jogadores procuram uma parte de 22% do prémio total do Grand Slam, o que estaria mais em linha com os torneios da WTA e da ATP.
«De acordo com os responsáveis do torneio, Roland Garros gerou 395 milhões de euros em receitas em 2025, um aumento de 14% em relação ao ano anterior, mas o prémio monetário aumentou apenas 5,4%, reduzindo a parte dos jogadores nas receitas para 14,3%», afirma a carta. «Com receitas estimadas em mais de 400 milhões de euros para o torneio deste ano, o prémio monetário, em percentagem das receitas, provavelmente continuará a ser inferior a 15%, muito aquém dos 22% que as jogadoras solicitaram para alinhar os Grand Slams com os eventos ATP e WTA Combined 1000».
A par desta questão, os principais tenistas do mundo reivindicam mais direitos laborais, ou seja uma maior contribuição dos torneios para as reformas dos jogadores, planos de saúde e fundos de licença de maternidade. Este aspecto surge como preocupação pelos atletas que ocupam lugares inferiores no ranking e não lucram os milhões que apenas uma pequena parte lucra.
Os tenistas também exigem ser consultados sobre decisões importantes dos torneios, nomeadamente para aliviar calendários desgastantes, horários de jogos que terminam muito tarde e a duração dos eventos.
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