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«Pandemia veio agravar» os problemas já existentes na Escola Pública

Estão em curso diversas acções de luta em escolas de Almada, Barreiro, Seixal e Setúbal para denunciar as «consequências graves» nas condições para estudar decorrentes da falta de financiamento na Educação.

Concentração de estudantes na Escola Secundária D. João II, em Setúbal, a exigir mais financiamento para a Escola Pública
Concentração de estudantes na Escola Secundária D. João II, em Setúbal, a exigir mais financiamento para a Escola PúblicaCréditosMariana Raminhos / AbrilAbril

Os estudantes de várias escolas do ensino secundário organizaram-se em torno do Movimento Por Mais Condições Nas Escolas de Setúbal para, através de vários protestos, «denunciar a falta de investimento do actual Governo que coloca consequências graves nas condições humanas e materiais para estudar», explicam em comunicado.

Para estes estudantes do ensino secundário, muitos dos problemas que vivem já existem há muito e foram «acentuados» com a pandemia. Neste sentido, realizaram-se esta quarta-feira duas concentrações, uma junto à Escola Secundária (ES) Cacilhas –Tejo, em Almada, e outra em frente à ES D. João II, em Setúbal, com a participação de largas dezenas de estudantes.

Amanhã realiza-se uma manifestação que junta estudantes de várias escolas do concelho do Barreiro e que rumará até à Câmara Municipal. E no dia seguinte está agendada uma concentração em frente à ES Manuel Cargaleiro, no Seixal.

Entre as reivindicações estão a gratuitidade dos materiais escolares e os organizadores dos protestos asseguram que lutam com respeito pelas medidas de segurança. E não hesitam em apontar como responsáveis pela actual situação «os sucessivos governos» que não têm dotado o ensino público do financiamento necessário para resolver «os problemas das escolas da região de Setúbal».

Entre os problemas que registam estão o número elevado de alunos por turma, a falta de condições de higienização nas salas de aula e exige-se a retirada imediata dos telhados de amianto nas escolas do Barreiro, a ES Manuel Cargaleiro e a ES Augusto Cabrita, lembrando que a Direcção-Geral da Saúde diz que «a exposição ao amianto pode causar as seguintes doenças: asbestose, mesotelioma, cancro do pulmão e ainda cancro gastrointestinal».

Também se reivindica a urgente realização de obras na ES Alfredo da Silva (Barreiro) e na ES Casquilhos (Almada), sendo que esta última «nem pavilhão polidesportivo tem». Aponta-se ainda que é preciso repor o bom funcionamento de vários serviços nas escolas cujo horário tem estado «reduzido», como acontece na ES Alfredo da Silva e na ES D. João II (Setúbal). Denunciam os estudantes que «há escolas sem balneários abertos e sem acesso às aulas de educação física quando o tempo é chuvoso».

Para estes alunos, a luta é uma «responsabilidade», porque entendem que «não podemos calar quando diariamente assistimos a estas injustiças».

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