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Plano de Emergência para a Saúde representa «submissão e servilismo» 

«Profundamente preocupada», a Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal (CUSCS) defende que o plano do Governo representa «a submissão e o servilismo» aos «ditames liberalizadores da União Europeia». 

CréditosEstela Silva / Agência Lusa

Não acrescenta e confirma os receios dos utentes relativamente às «reais intenções de desmantelamento e privatização» do Serviço Nacional de Saúde (SNS), assim resume a CUSCS, num comunicado enviado ao AbrilAbril, a apreciação feita ao Plano de Emergência para a Saúde, aprovado em Conselho de Ministros na última quinta-feira. 

A estrutura salienta que o convite aos privados e ao sector social «para o "negócio", seja por via do alargamento de serviços convencionados, seja pela criação das USF-C (privatização dos centros de saúde e dos cuidados de saúde primários), não traz nada de novo, já que estes sempre têm estado envolvidos, encaixando muitos milhares de milhões de euros, representando há muito uma fatia importante do orçamento do Ministério da Saúde». Defende, por outro lado, que enquanto o SNS assenta na prevenção ao longo da vida, o sector privado e social «explora o filão da doença, com objectivo no lucro», salientando que é no serviço público que se resolvem as situações de maior complexidade. 

Os utentes alertam que, sem criar uma «verdadeira atractividade e condições de fixação» dos profissionais de saúde, com a devida valorização dos salários, carreiras e equipas multidisciplinares estruturadas, condições de trabalho humanizadas e uma gestão eficaz dos recursos, «não adianta» o Governo anunciar a abertura de mais vagas a concurso, «pois ficarão na sua maioria por preencher».

«Tudo o que não leve em conta esta realidade, são apenas paliativos, mais tarde ou mais cedo, condenados ao fracasso e não resolvem a demora nas consultas e cirurgias e nos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT), o fecho rotativo das urgências de Obstetrícia/Ginecologia e Pediátricas, as elevadas horas nas Urgências Gerais e a crónica falta de camas nos hospitais», refere a Comissão de Utentes. 

«Profundamente céptica e preocupada» com o futuro do SNS e os investimentos programados para o concelho, como o Hospital do Seixal, há muito reivindicado, a CUSCS afirma que irá continuar a denunciar e lutar contra todas as medidas «tendentes ao enfraquecimento e desmantelamento do SNS». Reconhece, entretanto, que a carência de medidas estruturais na saúde pública «é resultado do caminho há muitos anos percorrido pelos sucessivos governos de Portugal de transformar a Saúde num negócio da doença apetecível para os grupos privados de sector, que não param de crescer à custa do erário público».

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