A iniciativa decorre um dia depois da direcção clínica do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) ter apresentado demissão. Mas, mais do que um problema de saúde, os comunistas afirmam que há um problema do Governo de Miguel Albuquerque que não cumpriu com a promessa de «mudança», tendo apostado antes na continuidade das políticas de João Jardim.
Depois da demissão do anterior Secretário Regional, Manuel de Brito, e já com o actual titular da pasta da Saúde, em lugar do prometido «novo ciclo político» e consequente pacificação do sector, o PCP/Madeira fala em «desnorte» e dá exemplos. A par da falta de medicamentos e de pessoal, denuncia o agravamento dos problemas no acesso aos cuidados de saúde, o descontentamento popular e o desagrado de diversos sectores socioprofissionais.
«O descontentamento público de agora não corresponde a um problema sectorial, é um problema da política regional», dizem. O Governo liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque obteve uma maioria absoluta ancorada no compromisso de mudança. Um ano depois da tomada de posse (em Abril de 2015), os comunistas afirmam que a realidade chumba o compromisso. «A realidade apresenta-se pantanosa, tal a quantidade de demissões, de contradições, de desorientações, de tantos erros em tão curto espaço de tempo».
A demissão, ontem, da direcção clínica do Hospital Dr. Nélio Mendonça deu o mote à moção de censura que os comunistas vão apresentar ao Governo Regional da Madeira. A iniciativa é uma tomada de posição e visa confrontar o Governo com o descontentamento, a indignação e o protesto que estão a alastrar na sociedade, face às erradas políticas e às falsas promessas.
O PCP/Madeira reconhece que «se o Governo Regional já está a ser alvo de expressões públicas de censura política da parte de tantas pessoas lesadas pelas erradas e injustas políticas em curso, constitui nosso dever levar ao Parlamento regional este sentido de censura pública e de censura política ao Governo de Miguel Albuquerque».
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