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Comissões de utentes alertam para falta de médicos em Alcanena

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo e a Comissão de Utentes de Serviços Públicos do Concelho de Alcanena lançaram um abaixo-assinado pela reposição dos cuidados de saúde primários.

Créditos / 24.sapo.pt

Nos «últimos quatro anos o Centro de Saúde de Alcanena viu sair do quadro de serviço nove profissionais médicos, sendo que apenas dois foram alvo de substituição», lê-se no documento divulgado pelas comissões, de acordo com o qual o centro de saúde ribatejano conta com quatro médicos efectivos e um médico reformado contratado para horas extraordinárias.

Além disso, alertam, durante os próximos meses a unidade pode ficar apenas com um médico de família disponível por motivos de saídas para a reforma, sendo que «actualmente mais de 7000 utentes do concelho de Alcanena, mais de 50% dos utentes, não têm médico de família».

Neste sentido, destacam que o município é «um dos piores […] na região do Médio Tejo quanto à prestação de cuidados de saúde primários».

Outra situação para a qual o texto chama a atenção é da não reabertura das extensões de saúde que foram encerradas por falta de médico durante o período da pandemia – Monsanto, Serra de Santo António, Moitas Venda e Espinheiro. A estas, juntam-se as de Malhou e Louriceira, que já haviam sido encerradas.

Como os utentes destas freguesias passaram a ser atendidos no Centro de Saúde de Alcanena, esta unidade «não consegue dar resposta às necessidades dos utentes do concelho», afirmam, destacando que estes «têm vindo a perder gradualmente os serviços de proximidade» e «a assistência médica continuada», sendo reiteradamente reencaminhados para os hospitais do Médio Tejo.

As comissões em causa consideram «inadmissível» o estado a que chegou o serviço de saúde no concelho, frisando que tal «desresponsabilização do Estado acontece à revelia da Constituição Portuguesa» e alertando que «a expectativa a curto prazo é desastrosa».

Lembrando a mobilidade precária – muitas vezes inexistente – para as deslocações dos utentes e como a prestação de cuidados de saúde primários se encontra «altamente comprometida» no município, as comissões exigem a reposição dos médicos de família e a reabertura das extensões de saúde encerradas nas freguesias.

Pelo direito à saúde dos utentes do concelho, reclamam também cuidados de saúde primários de proximidade, bem como um Serviço Nacional de Saúde universal, geral e de proximidade.

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