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Câmara de Loures compromete-se a resolver falta de electricidade no Bairro da Torre

A Câmara Municipal de Loures assegurou hoje que durante os próximos dias vai resolver o problema da falta de electricidade no Bairro da Torre, em Camarate, até que seja reposta a ligação pela EDP.

Bairro da Torre Créditos António Cotrim / Agência Lusa

O Bairro da Torre, de génese ilegal, existe desde a década de 70 e alberga cerca de 250 pessoas num total de 70 famílias.

Além da falta de habitação, de graves carências socioeconómicas, de lixo e esgotos a céu aberto, o corte geral de electricidade no dia 19 de Outubro, pela EDP, foi o último atentado à dignidade destes moradores que assim ficaram privados das suas rotinas e literalmente às escuras.

Fonte da autarquia revela que apesar da habitação não ser uma competência directa do município, desde o início do actual mandato que vêm tomando diligências no sentido de se encontrar uma solução para estes moradores. Relativamente à falta de electricidade, informa que se está a enquadrar uma solução capaz de resolver o problema até que a ligação pela EDP seja estabelecida.

Num comunicado emitido hoje, e no qual expõem a pobreza e degradação das condições de vida, agravada nos últimos dois meses, os moradores do Bairro da Torre reconhecem o empenho da Câmara de Loures com vista a encontrar uma solução tendo como referência a experiência do Bairro das Terras da Costa, em Almada. Aqui, a solução encontrada passou por uma parceria entre a Câmara Municipal, a EDP e a associação de moradores através da instalação de um contador único para todo o bairro, com ligações individuais a cada casa.

Os moradores denunciam a EDP, que «sem o aval da Câmara Municipal de Loures e mesmo sabendo haver vários contratos de electricidade e centenas de CPE (Códigos Ponto de Entrega) activos no Bairro da Torre, cortou a linha de acesso à electricidade a todo o bairro». Um acto, acrescentam, que «elevou o sofrimento dos moradores para níveis insustentáveis», em particular das crianças e jovens, e de pessoas doentes. 

Entretanto, os moradores, a Câmara de Loures, a EDP e outras entidades, designadamente o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) tentam chegar a acordo para contratos individuais com a EDP, ou encontrar soluções alternativas de fornecimento de energia.

Leilani Farha, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) esteve em Portugal com o objectivo de avaliar o impacto das medidas de austeridade nas populações vulneráveis, designadamente no Bairro da Torre, nas «ilhas» do Porto e no Bairro 6 de Maio, na Amadora. Concretamente sobre o Bairro da Torre concluiu que as condições «são muito, muito duras».

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